sexta-feira, 3 de março de 2017

Vieira na CMTV, Seixal e nada mais

As palavras ficam a ecoar-me na cabeça. Tenho este defeito. Fico a pensar nas coisas e quanto mais penso mais quero falar delas. Principalmente quando as palavras são pomposas mas ocas de sentido.

As entrevistas deste presidente do Benfica são fenomenais para títulos de jornais. Se queremos ficar entusiasmados agarremo-nos às Capas nos quiosques e deixemos de lado o muito de nada integral.

Mais de uma década das mesmas coisas, das mesmas promessas e das mesmas repetições.
Recentemente temos no nosso clube muita gente com tiques de senado. Não são senadores. São aproveitadores de bons momentos para se sentirem superiores. O que é falso só pode soar a falso.

No Benfica temos obrigação de ser pró-futebol, de defendermos os mais altos valores da sociedade e do desporto. Está-nos no sangue enquanto clube. Contudo, outra coisa é o que está no sangue de cada um, de cada individuo. Quem não o é finge mal ser.

Faltou muita seriedade ao presidente do Benfica. Quis brincar com a inteligência das pessoas e passar de fininho pela chuva. Não conseguiu, não devia ter tentado e saiu risonhamente encharcado.
Pessoas frontais nunca têm tanta necessidade de lembrar que o são.

Entrevista fraca. Pobre. Má. Triste.

Pela postura, pelo discurso, pelo modo como abordou a ida à comissão de arbitragem, pelo modo como falou da parceria com o Jorge Mendes, pelo modo como ignorantemente abordou a vida profissional do seu filho, pela forma como falou de um projecto do qual o clube faz parte, pela palha sobre os 15M e pela incoerente, simplista e falsa abordagem que fez à saída do Jorge Jesus.

Este presidente do Benfica resume-se a uma coisa positiva: Seixal.

É aqui o seu grande mérito e é aqui que sempre brilha nas entrevista.

Não é pela abordagem aos jovens jogadores, não é pela forma como estes são ou não aproveitados no clube, é pela obra.

O Seixal é o grande legado de Luis Felipe Vieira e quando fala desta obra é quando mais entusiasma.

Aqui dou os parabéns ao presidente do Benfica. A qualidade do Seixal, os frutos que dá e o maravilhoso trabalho que lá se faz são mérito seu.

O Seixal é Benfica, o Seixal é o futuro do Benfica, o Seixal tem de ser ainda mais o presente do Benfica e o Seixal é benfiquismo. É aquilo que mais pode orgulhar os benfiquistas e é aquilo que melhor alimenta todos aqueles, que como eu, sonham há anos por ver uma maior identidade Benfica neste Benfica.

Deixo um conselho a Luis Felipe Vieira:

Entrevistas só sobre a obra do Seixal. Uma hora a falar sobre o que se fez, como se planeou, como se desenvolveu, futuros projectos, como se vão fazer, ponto de situação. Uma hora a dissecar este magnifico sonho.

Aí sim poderíamos estar perante uma magnifica entrevista deste presidente.




Desabafo 2:

“Se eu quero vender por 45 ou por 50, ele é que tem de ir o vender, não sou eu que vou vendê-lo.
As pessoas não vão pensar que chegam aqui ao estádio da luz a comprar os jogadores do Benfica. Pode haver um ou outro jogador.
Agora, se nós não estivermos no mercado de certeza absoluta que somos desconhecidos.”

Alguém percebeu alguma coisa desta trapalhada?

Pagamos uma percentagem à Gestifute para fazerem um trabalho que é público que o presidente do Benfica tem andado a fazer.

Os jogadores do Benfica são desconhecidos no mercado, os clubes não mandam observadores aos jogos do Benfica, os desempenhos dos jogadores a nível interno e europeu não são visíveis além fronteiras e aquilo da "montra europeia" é um mito.

O mito à volta da venda do Guedes lá caiu.
Quanto ao Ederson parece que nos estão destinados uns 30% parcelarmente pagos.


9 comentários:

BEnfiquista ferrenho disse...

Grande entrevista, grande presidente. Está cada vez melhor. Eu percebi tudo. Sò percebe quem quer perceber.

Daniel Oliveira disse...

BEnfiquista ferrenho,

Concordo consigo.

Só percebe quem realmente quer perceber mas à pressão.

Quem não quer perceber só porque quer perceber, fica à toa.

José Ramalhete disse...

No modo como abordou o assunto Seixal pareceu mais um investimento para alimentar o catálogo que ele e o Mendes se encarregam de andar a oferecer pelo mundo.
O Benfica investe, paga os custos da formação, o Mendes embolsa. Nos pacotes de 15M, nos empréstimos, nas "cláusulas que há por lá", nos regressos ao clube, nas transferências futuras, o Mendes tem sempre algum (muito) a receber.
Falta saber quem paga as despesas dessas viagens conjuntas.

Benfiquista Primário disse...

Não vi a entrevista, precisamente pelo que mencionas no post...para melhor, está bem, está bem; para pior, já basta assim...

Ontem escrevi no 'tasco' do PP o seguinte:

Hoje em dia, parece que há dois tipos de benfiquismo: os vieiristas acríticos - que tudo aceitam, sem pestanejar ou criticar, porque 'é preciso é apoiar' - e os antivieiristas 'pancríticos' - que não aceitam nada e criticam tudo o que mexe, e mesmo o que está parado, no Benfica de Vieira. Depois há umas dúzias de gajos como eu, que não se revêem nem num grupo nem no outro, e levam na cabeça de ambos...

Não sei porquê, mas acho que se calhar, aplica-se a este post e a ti...

Luís Tadeu disse...

A Benfica SAD é um conglomerado de negócios e interesses que tem no SLB o suporte popular e cortina intocável para ser um paraíso fiscal e criminal para os negociantes e negociatas.

Nau disse...

Concordo, Daniel. O presidente devia preparar-se melhor para as entrevistas e ser mais convincente. Mas não é capaz ou não quer fazê-lo. Deixar as coisas nas meias-tintas, dar meias-explicações, dá para tudo e permite uma saída airosa.
Não ponho em causa o que fez bem feito, presidente, e agradeço-lhe. Mas olhe que há coisas que a gente continua a não perceber. Cá estarei para o meu mea culpa, se e quando for caso disso.

Carlos Bessa disse...

Este post, podia muito bem ser escrito pelo ricardo.

joão carlos disse...

não vale a pena esperarmos por mais do presidente ele nunca teve qualidades para dar boas entrevistas e nesse aspecto nunca melhorou em todos este anos.

quanto ao resto é difícil tentar explicar o que muitas vezes não tem explicação. é que quando se vende bem pagamos comissões altas quando vendemos assim assim, elas são iguais, e quando vendemos mal pagamos o mesmo.
alias prova disso é o facto de o clube não discriminar os valores envolvidos em cada transferência de jogadores.
nisto tudo quando ganhamos alguma coisa é a dividir por uma serie deles mas quando os negócios não resultam o único que fica a ardem somos nós.

Anónimo disse...

São mais que umas dúzias!