domingo, 12 de março de 2017

Celebremos o futebol


Televisão, livros, carrinhos, legos e cassettes fizeram parte da infância de quase todos os miúdos nos anos 90. Não fui excepção. Com a diferença de que sempre privilegiei o futebol. Mesmo na televisão, no tempo dos quatro canais, mais que os desenhos animados era o futebol que me captava a atenção. Os jogos do campeonato nacional, o saudoso Domingo Desportivo ou o Remate na RTP com a Cecília Carmo, os Donos da Bola na SIC com Nuno Santos ou Jorge Gabriel, os jogos da Liga Espanhola e da Liga Italiana ou o Contra-Ataque com o Sousa Martins na TVI fizeram parte minha infância. Eram os meus desenhos animados. Era o que me prendia à televisão. Também vi cassettes. Tenho dezenas delas. Rei Leão, Pinóquio, Toy Story, Aladdin, Pocahontas, enfim, até as organizava por ordem alfabética, por ordem de duração. E qual foi a cassette que vi, que rebobinei para rever vezes sem conta até à náusea? A daquele Barcelona x Atlético de Madrid para os quartos-de-final da Taça do Rei de 1997.

Faz hoje vinte anos sobre esse jogo. Por feliz coincidência, o Zé Luís, meu primo, sabendo que não iria poder ver o jogo, deixou uma cassette a gravar. E graças a isso, vezes sem conta, vi e revi os frangos de Vítor Baía, os contra-ataques dos colchoneros, a classe e os golos de Ronaldo (o verdadeiro, o melhor futebolista que vi jogar e a primeira camisola que tive), aquele remate do Figo à entrada da área e a festa blaugrana após o golo decisivo de Juan Antonio Pizzi, que seria promessa eleitoral de Luís Tadeu nas malfadadas eleições de 1997 em que se elegeu Vale e Azevedo em detrimento do professor do Instituto Superior Técnico.

Não sendo a minha primeira memória sobre futebol, é talvez a primeira memória marcante que tenho. Celebremos o futebol.


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