quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Isaías Marques Soares



Quando o Isaías se meteu ao saltinhos com as mãos a fazer corninhos em Alvalade, eu acho que já era uma pessoa. Não ainda completa, porque faltava o Helder e a sua evocação papal para o público. Era assim: uma passada larga, tranquila, e as mãos cheias de golos. O Helder fez de papa para a plateia e os adeptos rezaram sob a chuva. Imagem que nem os mais católicos podem alguma vez ter visto em Fátima, porque em Fátima não há golos nem este nível de religiosidade divina.

Na confusão dos mitos sobre remates para o terceiro anel, o Isaías foi passando entre os pingos e quase que é mais um. O Isaías não é, não pode ser, mais um. Aquele toque de bola, a recepção para a frente - hoje pelos intelectuais considerada "orientada" -, o cavalgar pelo meio-campo feito um Tsubasa sem relvado Himalaia, a finta curta e curva, sem circo - só, como os grandes, um bamboleio de anca e olhos enganadores. O Isaías fintava como o Camarón de la Isla cantava: era só ilusão de machismo; na verdade, era um sentimentalão. Punha a chuteira sobre a bola, o dorso de toiro virava primeiro para a esquerda e depois avançava os olhos, os pés e o coração pela direita enquanto o adversário, por despeito, ficava a escrever enormes tratados contra as touradas.



Tenho o Isaías na alma. Levo-o quando lembro um golo no último minuto. A Luz estava desesperada, desesperavam os adeptos, as pessoas já não acreditavam, havia gente descendo as escadas desde o Terceiro Anel, pessoas passando pelo túnel, quando o Isaías marcou o golo do empate contra o Leverkusen. Houve um grande grito orgástico de todo o estádio e a demência dos que perderam aquilo. Não sei, porque não estava lá nem tinha filhos, mas imagino um Pai a tentar explicar ao seu pequeno benfiquista que tinha cometido um erro, enquanto o meu Pai e eu nos levantávamos sobre o estádio, quase flutuando, com aquele golo que, diziam os deuses, havia de ser a nossa salvação. 

Nesses anos, era assim: empatávamos no último minuto e acreditávamos naquela gente. Sabíamos que eles iriam aproveitar aquele golo para um orgulho estrangeiro e dar-nos mais uma eternidade. O Isaías não morre porque foi um homem que era homem e toiro. Tudo o que fazia tinha arte e força; coragem e elegância; vontade e compromisso. Tinha um sinal na cara que de certeza nasceu quando vestiu pela primeira vez a camisola do Benfica. A gente olhava o Isaías e dizia: és dos nossos. E ele respondia sem palavras, correndo pelo campo, não muito mas bem, dando rotas aos passes ou perseguindo, como se a vida dele disso dependesse, os adversários. Era carraça e sombra e fantasma. A bola se não estava nos pés dos que levavam uma águia ao peito tinha de sentir a vergonha e desistir. O Isaías galgava terreno não como um estafeta mas como um prestidigitador: pés e mãos a adivinhar o próximo passo, o próximo passe. Levantava a cabeça como um garboso miura, subia as golas da camisola e ia recolher bolas que estavam perdidas. Dava-as macias e voltava a correr para ir marcar golo.



Sou supeito: gosto muito do Isaías. Fez-me feliz tantas vezes que ainda hoje levanto um sorriso no meio de um dia qualquer e sinto que parte dele é uma mistura de golos e passes e corridas e afectos que o Isaías me deu. Também aprendi a chorar com o Isaías: choro mais e mais intenso. E ainda hoje sinto que aquele golo em curva pelo chão pela lama levantando o pé para as redes é aquilo que eu sou e quero do Benfica.







André Gomes, Liderança, Apoio, Bilhetes mais baratos, Alípio Matos

1) A integração de um jovem jogador na equipa principal exige critério e noção dos momentos adequados na sua utilização. Se ela for feita sem método, corre-se o risco de, após a euforia dos adeptos por verem um miúdo da formação a jogar na equipa titular, acabar por queimar o jogador. Falo de André Gomes, um jogador com um talento evidente que deve ser paulatinamente integrado e não constituir já uma referência para entrar de início. Em Barcelos, apesar do golo e da natural qualidade de decisão que sempre demonstrou, André Gomes perdeu imensas bolas - muitas das perdas devido a más recepções - e denotou ainda não estar adaptado à intensidade de jogo mais exigente da Primeira Liga. A solução passa por ir utilizando Gomes com critério, preferencialmente vindo do banco em jogos resolvidos ou a titular em jogos de menor dificuldade. Utilizá-lo sem restrições não só contribuirá para um atraso na sua evolução como poderá "queimá-lo" na receptividade que os adeptos terão ao longo do tempo. Neste particular da capacidade de utilização ao mais alto nível, Miguel Rosa parece-me bastante mais apto a ser solução mais assídua.

2) Vitória, Spartak, Rio Ave, Moreirense, Celtic e Olhanense. 6 jogos que só podem ser 6 vitórias. Porque é fundamental chegar  ao primeiro clássico (em Alvalade) na liderança do campeonato e porque, na Champions, só vencendo os dois jogos em casa poderemos sonhar com a passagem aos oitavos-de-final. Jogos com graus de dificuldade diferentes mas todos ao nosso alcance - até por jogarmos 4 deles em casa. Entramos num período crucial da época: não há tempo nem espaço para erros.

3) Os adeptos têm de compreender as necessidades do clube: tanto ao nível do apoio fundamental à equipa como na questão financeira. Assistir, como na recepção ao Beira-Mar, a 28.000 pessoas na Luz torna-se deprimente. O Sporting, que está numa crise profunda, teve em Alvalade a mesma assistência no último jogo. Há 20.000/25.000 que vão sempre ao estádio; importa agora criar uma onda com os restantes 30.000/35.000 de indecisos, que umas, raras, vezes vão, outras, muitas, preferem ficar em casa ou ir ver o jogo ao café. Quem pode ir ver os jogos - e, apesar das dificuldades financeiras, há muitos que podem - não deve afastar-se das suas próprias responsabilidades como sócio ou adepto. Que seja criada uma onda de apoio crescente que leve o Benfica até Janeiro na liderança. É fundamental conseguir ganhar vantagem sobre o porto até lá, porque temos um plantel mais desequilibrado e menos experiente. A única hipótese de estarmos no Marquês no final da época passa por estes próximos 2 a 3 meses. Saibamos, adeptos e sócios, compreender a importância de encher os estádios com o apoio à equipa.

4) Na sequência do ponto anterior, espero pela confirmação da promessa que Vieira fez aos benfiquistas. Uma redução no preço dos bilhetes e nas quotas dos sócios é, mais do que uma medida de respeito, uma acção inteligente na promoção pelo apoio à equipa e até uma ajuda importante em termos financeiros. Bilhetes mais baratos significa maisgente no estádio e melhores receitas. Nem sempre pedir muito significa ganhar muito. 60.000 a 15 euros o bilhete é melhor do que 30.000 a 20 euros o bilhete. Com o extra, nada despiciendo, de encher o estádio em apoio à equipa e potenciar novos adeptos e sócios.

5) A reintegração de Alípio Matos na estrutura do Futsal do Benfica é uma excelente notícia. Um homem de uma competência inatacável que eleverá a organização da modalidade a um modelo mais coerente e sólido - para além de ser o responsável por toda a estrutura, estará a liderar os juniores. Óptima medida para o futuro da modalidade.

Dá-se bilhete para Sábado em troca de sangue artístico

Confessem: já tinham saudades de ganhar um bilhetezinho para um jogo do Benfica que depois não levantam porque são calões, não tinham?

Ora bem, para o jogo de Sábado, frente ao Vitória de Guimarães, há um papelinho mágico à vossa espera. Só têm de legendar esta maravilhosa foto que aqui está. Quem tiver mais likes até às 23:59 de Quinta, vai ver o Benfica à pala.

Entretanto, nós demos o pontapé de saída:


terça-feira, 30 de outubro de 2012

Champions das Ideias - primeiro tema e inscrições

Na sequência do post de ontem - no qual apelei a uma comunhão de ideias a favor do Benfica através de uma competição (Champions das Ideias) -, hoje lançamos o primeiro tema. 

Relembrando: pedimos aos leitores que nos enviem para o email (ontemvitenoestadiodaluz@gmail.com) a visão que têm sobre determinado assunto relacionado com o clube. Dependendo do número de participantes, depois escolheremos a fase da competição em que se iniciam os vários duelos de textos. Quem passar à fase seguinte terá de defender outro tema e assim sucessivamente até encontrar um vencedor que tenha ganho, com os seus projectos, todas as eliminatórias sobre vários temas.

Abrem-se assim - e até às 23:59 de Terça, dia 6 - as inscrições. Quem quiser participar, deverá enviar-nos um texto sustentado sobre o primeiro tema: 

- Modelo político e estratégico na relação com os outros clubes e órgãos de poder do futebol português. 


Venham de lá essas ideias.

O Benfica de Maradona

Estamos em 1989, estádio à pinha com mais de 120.000 adeptos. Diego entra no relvado para o aquecimento envergando o manto sagrado da Hummel com as divisas sobre os ombros e a Fnac estampada no peito. O barulho é ensurdecedor, a Catedral estremece da cabeça aos pés, as cerca de 120.000 almas entram em perfeita comunhão e são transportadas para uma outra dimensão qualquer a bordo da mais bela nave espacial do mundo. Enquanto isso, Dios diverte-se com a bola ao som do Luís Piçarra como se de uma criança de 5 anos se tratasse. Tudo nele é alegria, o orgulho que sente em estar ali é algo que não consegue disfarçar. Não consegue nem se esforça por isso. Diego sabe que é o maior e que joga no maior. Diego e Benfica merecem-se.



O sangue verde caqui-cacique

(Já ninguém liga nenhuma ao Sporting. Percorro a blogosfera benfiquista e um silêncio sepulcral sobre o estado decrépito dos nossos mordomos e organizadores de eventos. Tenhamos algum respeito, caramba. Além de nos servirem peças de comédia do mais alto quilate, ano após ano, devemos-lhes algum fingimento de rivalidade. Para que eles acreditem que ainda são alguma coisa. É mesmo muito importante que eles acreditem que ainda são alguma coisa. O que decididamente não queremos é que eles olhem para a realidade. E depois o espectacular humor, como fica?

Já imaginaram o que seria se o Benfica estivesse em 10º lugar, afastado da Taça em Outubro e ficado nos últimos 3 anos a 80 pontos da liderança? Conseguem prever a loucura por esses blogues lagartos? Eles mesmo agora, no estado comatoso em que se encontram, conseguem arranjar forma de escrever imenso sobre o Benfica. Imaginem se não estivessem mortos.

Já que ninguém liga nenhuma ao Sporting, eu farei uma viagem ao passado. Deixo-vos com um texto que escrevi há um ano, numa altura em que se falava muito no racismo do Eusébio. Nunca se esqueçam, devemos deixá-los a pensar que ainda são alguma coisa)

 

O sangue verde caqui-cacique

Este Sábado de manhã tinha tudo para ter sido um dia igual aos outros, não fosse ter aparecido nas mesas do café "O cacifo do Paulinho", ali como quem vira à esquina depois do "Sangue Leonino", uma bomba: Eusébio na capa a chamar racista ao clube de Telheiras!

O povo pôs-se em sentido, caíram cinzas de charuto no maple acolchoado do Senhor Telles Menezes que se levantou de súbito da mesa e gritou: ó Memé, dá cá o jornal que eu quero ler o que esse nhurra anda a dizer do meu querido Sporting!

Lidas as parangonas, Menezes não se conteve e dissertou assim, para toda a plateia ouvir (ver não podiam porque tinham o cabelo à frente):

"Como é que esta merda de Preto pode ser embaixador do futebol português, andar a mamar à custa da Seleção quando esta joga fora, se não tem respeito pela Instituição SPORTING? Devia calar a boca e mesmo que o sentisse, não o dizia! Só espero que quando a Selecção jogar em Alvalade, o atinjam com impropérios que o ofendam a sério. Preto do caralho!",

ao que se seguiu uma enorme e sentida salva de palmas, particularmente de Zacarias Ramalhosa y Mello (de nascença apenas Zacarias Ramiro mas que, entre viagens a Badajoz e uma conquista, mais tarde casamento, com Madalena Lopez Mello, acabou não só com distintos apelidos como com aquele "y" no meio, que tantas portas lhe abririam, mormente na famosa casa de concubinato "Veludo e Primavera", onde passava os serões a injectar heroína e a receber carícias de donzelas altamente qualificadas): "Brilhante, Chico Diogo, brilhante! É pô-lo no espeto, como fazíamos no Ultramar, caralho!". Aqui subiu ao ambiente um ligeiro mal-estar, especialmente na mesa dos Tomaz Britto, que prontamente se apressaram a responder ao bigode extremamente bem cuidado do antigo Zacarias Ramiro, hoje Ramalhosa y Mello: "Ó Ramalhosa, não diga essas coisas. Sabe perfeitamente que nós não dizemos "caralho". No máximo, um "apre" ou um "fosga-se"! Agora um "caralho", Ramalhosa y Mello? Francamente, nem parece seu!"

"Tem toda a razão, Manuel, mas o que é que quer? Quando me falam do meu querido Sporting, sobe-me a gravata ao pescoço!", respondeu Ramalhosa y Mello (antigo Zacarias Ramiro), com a cara intumescida, quase vermelha - o que o irritava duplamente porque, dizia ele, pior do que o objecto da fúria, só a imagem da mesma - tão visceralmente encarnada, cor dos pobres e dos trabalhadores.

Por esta altura, já uma vozearia ecoava por todo o café, sem que se percebesse, no meio dos escombros, palavras definidas ou sons perceptíveis - uma imensa mancha de ruídos alarvemente infectando o brandy do Senhor Leão de Campo de Ourique, que, num salto atlético, caiu em cima do balcão de mogno polido e botou discurso:

"Não diria melhor, Ramiro y Ramalhosa!" (era usual o Senhor Leão de Campo de Ourique, especialmente nos dias em que acordava a torradas e conhaque francês, deixar cair "acidentalmente" o berço de cheiro a sopa dos pobres de Zacarias Ramiro, numa luta intensa pela pureza da raça que já lhe havia custado dois dentes, um prato do Alandroal que muito estimava e uma pequena cadelita rafeira que, na emoção da contenda, acabou debaixo de um cd da Mafalda Veiga). "Embaixador do nosso futebol? Ouve lá ó cabrão: A primeira vez que ouviste um hino português nos jogos olímpicos, não foi ninguém do teu clube galináceo, besta quadrada. Porco preto!"

"Porco preto não, ó Campo de Ourique! Não se ofendem assim os porcos pretos! Tenha lá isso em consideração e continue, se fizer o obséquio...", exclamou Tobias Barbosa Vaz, enquanto dilacerava dois pedaços de gordura de presunto pata negra e fazia por esquecer a afronta a tão distinto animal que ele, com tanto cuidado, criava e assassinava à queima-roupa num terreno baldio numa terra esconsa da Andaluzia.

"Pronto, está bem, retiro o porco preto. É apenas e só um macaco gorila, um preto calcinha. As saudades que eu tenho de degolar-lhes os ventres, as tripas dos animais a saírem-lhes pela boca, aquelas bestas aos gritos a sangrar pelo cu!"

"É isso mesmo", gritava Biba Parvalheira, "ainda me lembro do meu Pai a trazer para a nossa casa de Sá da Bandeira os crânios dos nhurras atados uns aos outros que a gente desfazia o nó e usava como bola de futebol! Ah, bons tempos... as saudades que eu tenho de África...",

Ficaram nisto uma boa meia-hora, entre gritos histéricos, rememorações de genocídios belíssimos e sovas monumentais, quando entrou pelo café um senhor de tez escura.

"É aqui que se discute o sportinguismo?", perguntou, bebendo um carioca de gole.

"É, sim", disse Francisco Fernandes Fernandez , "e diz-se mal de pessoas como o macaia Eusébio, macaco apreciador do marisco tremoço, pessoa substancialmente diferente do que é o verdadeiro negro, como vosselência, que tem orgulho na sua raça!"

O senhor de tez escura olhou-o espantado, quase a rir, mas conteve-se. Virou-se para o resto das pessoas e disse ao que vinha:

"É só para avisar que, daqui em diante, os senhores vão passar a andar enjaulados".

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Um clube eclético em derrotas e empates

É triste que os benfiquistas não saibam admitir as qualidades dos rivais. No caso específico do Sporting, é importante dar valor a um empate que, de forma totalmente justa, elevou o clube ao 10º lugar. Não é por acaso que esta equipa tem contribuído para a paixão pelo jogo - 13 jogos, 2 vitórias, 6 empates e 5 derrotas. O Sporting está forte - aliás, muito forte! - e merece, após 4 derrotas consecutivas, este empate. Repare-se que a Académica só rematou 17 vezes em Alvalade - quase inexistentes.


Parabéns também ao Oceano que, em 4 jogos, finalmente conseguiu não perder. Um reparo apenas à Direcção de Godinho Lopes: é pena que, após conquistarem um excelente 10º lugar no campeonato, abdiquem, em ano e meio, do quinto treinador. Oceano, se tivesse tido o amor dos dirigentes, muito provavelmente teria conquistado a manutenção.

Olé olé olé


En una villa nació
fue deseo de Dios
crecer y sobrevivir
a la humilde expresión,
enfrentar la adversidad
con afán de ganarse a cada paso,
la vida.

En un potrero forjó

una surda inmortal
con experiencia
sedienta ambición
de llegar, de cebollita
soñaba jugar un mundial
y consagrarse en primera
tal vez jugando pudiera,
a su familia ayudar


Al poco que debutó

Marado, Marado
la doce fue quien coreó
Marado, Marado
su sueño tenia una estrella
llena de gol y gambeta
y todo el pueblo cantó
Marado, Marado
nació la mano de Dios
Marado, Marado
llevó alegria en el pueblo
regó de gloria este suelo


Cargo una cruz en los hombros

por ser el mejor
por no venderse jamás
al poder enfrentó
curiosa debilidad
si Jesus tropezó
porqué él no habria de hacerlo,

La fama le presentó una blanca mujer

de misterioso sabor
y prohibido placer
en su habito al deseo
y usarla otra vez
involucrando su vida
y es un partido que un dia
el Diego esta por ganar

Al poco que debutó

Marado, Marado
la doce fue quien coreo
Marado, Marado
su sueño tenia una estrella
llena de gol y gambeta
y todo el pueblo cantó
Marado, Marado
nació la mano de Dios
Marado, Marado
sembró alegría en el pueblo
llenó de gloria este suelo

olé olé olé olé

Diego, Diego
olé olé olé olé
Diego, Diego
olé olé olé olé
Diego, Diego
olé olé olé olé
Diego, Diego
olé olé olé olé
diego diego

Y todo el pueblo cantó

Marado, Marado
la doce fue quien coreó
Marado, Marado
su sueño tenía una estrella
llena de gol y gambeta
y todo el pueblo cantó
Marado, Marado
nació la mano de Dios
Marado, Marado
sembró alegría en el pueblo
regó de gloria este suelo
regó de gloria este suelo
rego de gloria

A Champions das Ideias



Confesso que enlouqueci. E confesso que vocês enlouqueceram. Vocês, leitores; vocês, que adoram ou odeiam vir aqui ler o que se escreve. E, no meio, quem definitivamente não enlouqueceu, foram aqueles que precisamente por não virem aqui por amor nem por ódio souberam manter a lucidez necessária. São poucos, quase nenhuns. Eu não sou um deles.

Há dois dias – ou ontem? – dei um giro pelas últimas semanas de textos deste blogue e depois fui ler o primeiro ano de vida deste espaço. Que diferença! Onde terá sido que uma decisão horrorosa – mantenho o “horrorosa” porque me magoou muito, enquanto benfiquista -, a antecipação de eleições, transformou a minha paixão pela escrita do benfiquismo num lugar que desaguou nas últimas semanas numa autêntica loucura de indignas discussões sobre o Benfica? Foi seguramente um trilho crescente, que se foi apoderando dos meus textos enquanto lia opiniões que estranhava e não compreendia; enquanto assistia a mudanças – de todos os tipos, mas sobretudo morais – na estruturas genéticas do nosso clube. 

Noto que sempre consegui tirar tempo para derivar para o que realmente me fez abrir este blogue – a escrita da memória e sangue benfiquistas em mim -, mas noto também que, insano, fui abdicando do prazer para enveredar por uma espécie de luta absurda que, tendo sentido na honestidade com que a cumpria, não tinha qualquer fundamento nem na forma nem na necessária presença de espírito que deve reger um texto que aborda não um qualquer tema quotidiano mas o mais importante dos assuntos, divinos ou humanos: o Benfica.

Enlouqueci, confesso que enlouqueci. E confesso que vocês também enlouqueceram. Fomos todos (quase todos) transportados para uma placa giratória de insultos, ofensas, provocações, baixezas, indignas afirmações e imbecis assertividades. Afinal, que merda de benfiquismo é o nosso, que nem sequer respeita a opinião contrária? Um lugar de egos e benficómetros, medições e analíticas suposições? O Benfica - o que eu idealizo ou o que vocês idealizam (que nunca será o mesmo, porque nenhum Benfica é o mesmo, depende de tantos factores e experiências, conhecimentos, emoções, dependências afectivas) – merece mais, muito mais. Merece ser regado com inteligência e massa crítica mas também com carinho e solidariedade. Concordemos ou discordemos, mas façamo-nos todos um grande favor: amemo-lo na sua grandeza e nas suas falhas. 

As eleições acabaram, ganhou um dos concorrentes. Eu não gosto do concorrente, outros gostam mais ou menos do concorrente e há quem adore o concorrente. De uma coisa tenho a certeza: todos gostam do Benfica. Tendo memória curta ou memória distante; analisando sob o prisma desportivo ou sob o prisma financeiro; tendo medo do passado ou projectando o futuro; suspeitando mais dos árbitros ou suspeitando menos dos árbitros; vendo no vermelho um branco claro ou claramente vislumbrando no branco um encarnado radiante. Todos - sem excepção - escrevem, pensam, comentam, reflectem, dissertam, sentem, querem, sonham um Benfica melhor. E ninguém, no fundo, sabe exactamente como consegui-lo. Temos, cada um, uma ideia; supomos que se fizéssemos assim é que era; quase asseguramos que se formos por aquele caminho vamos vencer; às vezes duvidamos; depois cremos. Queremos muito. Queremos tudo. Por uma razão simples: queremos aconchegar o Benfica no colo e senti-lo tão nosso quanto o imaginámos. Neste processo de intenções e sonhos, vamos em frente. Mas saibamos também olhar o outro que vai ao nosso lado. Passemos-lhe o clube para as mãos, deixemo-lo também brincar e dar afectos, sorrir com o Benfica nos braços.

Estou cansado da blogosfera. Mas não só da blogosfera. Estou cansado da forma como o Benfica está a ser vivido. De um lado, petardos; do outro, um Presidente que manda os adeptos para o caralho. É pouco Benfica, compreendem? Estes são os extremos, precisamos de mais cadeiras no meio. Pessoas que encontrem lugares de comunhão entre duas ideias contrárias. Serão essas que levarão o clube a patamares de exigência que hoje manifestamente não tem. E serão também essas que afastarão do Benfica a oposição bélica. No fundo, no fundo, precisamos de gente boa, inteligente, sábia (sábia de sentir, não só de conhecimento), honesta, credível, ambiciosa, benfiquista. O clube merece mais de nós.
 
De modo que proponho um jogo. Não um jogo apenas lúdico mas voltado para a construção comum de um Benfica maior e melhor. Na vez de facções em lados estanques da barricada, proponho um quebrar de muros e um encontro de sentidos. A princípio talvez fragilizado pelas guerras recentes, mas que vá alargando a sua energia desde o ponto titubeante do recomeço ao encontro completo de almas. Lembro-me de uma foto de dois amantes de mão dada - ela na Alemanha de Leste, ele do outro lado. As mãos uniam-se por uma fresta construída no desgaste dos anos e dos sonhos. Tanta gente sonhou que o muro desabasse que ele próprio foi cedendo, devagar, aos braços em prantos de um lado e de outro, aos gritos que uns e outros lançavam, aos beijos que juravam, às preces que se atiravam contra o betão e paulatinamente o iam corroendo. Primeiro uma fresta pequena; depois um buraco por onde os amantes e amigos e família se tocavam; no fim, sem força para a divisão, as pedras grandes espalmadas no chão e gente em cima delas, em abraços. 
 
Na vez da fragilidade das propagandas, proponho a força das ideias. Façamos, construamos ideias. E, porque elas podem surgir no meio de escombros, usemo-las num jogo para não parecer tão sério. Então o que pensei foi o seguinte: atira-se um tema para a mesa: sistema de votos dos sócios; direitos televisivos; quotização e bilhética; estratégia política com os órgãos de poder; solidariedade e Fundação Benfica; Casas do Benfica; política de aquisições; modelo de formação; modelo da equipa principal; discussão sobre o esquema directivo do clube, etc.. 
 
Cada vez que lançarmos aqui um tema, quem quiser participar enviar-nos-á textos fundamentados com as ideias que têm sobre esse mesmo tema. Dependendo do número de participantes, iniciaremos uma competição. Chamemos-lhe, de forma um bocadinho tonta, a Champions das Ideias – se tiverem nome melhor, agradeço. Imaginemos que 16 pessoas enviam textos sobre, por exemplo, o sistema de votos dos sócios. Nesse caso, iniciaremos a competição nos oitavos-de-final. Faremos 8 duelos, cada um com dois participantes. Cada duelo será um post no qual aparecerão os dois textos que serão votados – e, pede-se, comentados - pelos leitores de 0 a 20. Quem vencer, passa à ronda seguinte, na qual terá de defender as suas ideias sobre outro assunto relacionado com o clube. Se a participação for interessante, teremos não só uma problematização dos concorrentes como dos leitores ao longo de várias semanas. E, claro, nascerão ideias que podem posteriormente ser aproveitadas para o clube. Se não forem, ao menos discutiram-se soluções e projectos. Ganhará sempre o Benfica.

Vamos a isso?

domingo, 28 de outubro de 2012

O mito da boa gestão


Durante muitos anos ouvimos falar sobre a excelente gestão de Pinto da Costa. O responsável pela afirmação do Porto como maior potência do futebol nacional e expert máximo em gestão desportiva, em especial a fazer grandes negócios que permitem que o Porto continue a contratar craques que mantenham essa hegemonia. Não quero negar o sucesso desportivo do Porto, especialmente quando comparamos com o Benfica, especialmente na última década, quer em termos nacionais quer em termos europeus. Cá no burgo, a fruta de dormir e o cafézinho com leite ensombram as conquistas, por muito que os seus apaniguados façam de conta que essas realidades não se conhecem.

Casos como o de Rolando não eram comuns no Porto, como também não costumava acontecer o que se passou com o Guarín ou Álvaro Pereira que forçaram a saída. Mas se a má gestão desses casos é conhecida, pior será aquela que não sendo conhecida da maioria dos adeptos de futebol é comunicada À CMVM e aprovada por adeptos que aprovariam qualquer coisa. Só na época que passou o resultado foram 33,469 Milhões de euros de resultado líquido negativo e conseguindo pela primeira vez ter capitais próprios negativos de mais de 10 Milhões de euros e tudo isto aprovado por unanimidade.

No entanto, assegura o Porto que com as vendas de Hulk e Álvaro Pereira voltarão aos capitais próprios positivos já no 1.º trimestre da época 2012/13 - onde é que já ouvimos isto antes ? Mas então como será possível que alguém que venda mais de 500 milhões de euros em jogadores tenha esses resultados ?

A verdade é que na ânsia de "roubar" jogadores ao Benfica o Porto tem feito investimentos pouco justificados, como sejam os casos de Danilo e Alex Sandro, onde o valor pago em comissões inflacionou os passes para valores pouco justificados, respectivamente 17,839 e 10,3 Milhões de euros.

Mas não só, o famoso negócio Falcão com o Atlético de Madrid por 40 milhões e não 45 (ver a página 15 ou 53 do R&C de 2011/12), tão aplaudido pelos media nacionais foi subsequente a uma renovação que custou cerca de 6,585 Milhões de euros. Além dessa renegociação, a Gestifute e a Orel BV receberam 3,705 Milhões de euros em custos de agenciamento, o Porto teve ainda que suportar os custos do mecanismo de solidariedade no valor de 2 Milhões de euros, pagar a parcela correspondente ao fundo Natland no valor de  1,805 Milhões de euros. A contabilização do diferimento do pagamento ascende a 1,69 Milhões de euros e o passe está registado nos balanços por 10,629 Milhões de euros. Em resumo, apesar de a Porto SAD apresentar como mais-valia 20,170 Milhões de euros, na verdade esta apenas ascendeu a 13,585 Milhões de euros. E assim se vai atirando areia para os olhos dos adeptos e alimentando o mito do excelso negociador.

Sobre Hulk haveria muito que dizer e estranho que a CMVM esteja calada. No R&C de 2009, o Porto declara ter adquirido 50% do passe de Hulk e portanto ter em balanço, a 30 de Junho de 2009, 50% do passe de Hulk. Curiosamente no R&C de 2010, indica que a 30 de Junho de 2010 já só tem 45%, mas pior que isso e sim motivo para intervenção da CMVM, que a 30 de Junho de 2009 só tinha  45%, quando um ano antes declarara ter 50%. Espantados ? Desde que foi adquirido, Hulk teve renegociações anuais de contrato com os consequentes aumentos de salário e pagamento de custos de renegociação, também conhecidos como luvas - 1,724 Milhões de euros na época 2011/12 e 4,236 Milhões de euros em 2010/11. Daqui a um ano veremos no R&C o fantabulástico negócio de 65 Milhões de euros e perceberemos porque o Porto tem cada vez mais problemas de tesouraria.

Falámos de Falcão e Hulk, mas poderíamos ter falado de Moutinho que entre mudanças de fundos, o Porto perdeu 1,525 Milhões de euros, sem que daí obtivesse qualquer vantagem. Ou dos negócios com os Fundos que envolveram os Belgas a preços inferiores ao preço de custo.

Para quem contesta a afirmação dos problemas de tesouraria, aconselho a ler o R&C com atenção e em especial na página 75 e perceber que o Porto teve que antecipar o recebimento das receitas de direitos de transmissão televisiva relativamente às épocas 2012/13 a 2014/15, bem como antecipar 8 Milhões de facturação relativamente aos direitos de transmissão televisiva que respeitam às épocas 2014/15 a 2017/18 para evitar que o prejuízo fosse tão elevado este ano. Mas mais, a 30 de Junho de 2012 o Porto devia a alguns dos seus atletas as remunerações de Maio, Junho e o Subsídio de Férias além de dever Prémios a Atletas isto tudo num montante de 6,4 Milhões de euros, entretanto regularizado, demonstrando um acréscimo de dificuldades, pois a 30 de Junho de 2011 apenas estava em dívida o mês de Junho.

O Porto está a fazer de tudo para se manter no topo, adiantando receitas futuras, fazendo aquisições a preços faraónicos, vendas fantabulásticas que afinal se forem bem analisadas, não deixam de ser boas vendas, mas nada têm a ver com o que passa para a imprensa, manutenção de jogadores através de faustosas renovações, negócios ruinosos com fundos de investimento e todo um conjunto de más práticas de gestão que vão sendo mascaradas com uma prospecção de sul-americanos como Lucho, Lizandro, Falcão, Álvaro Pereira, James Rodriguez - jogadores descobertos pela prospecção do Benfica -, bem como Guarín, Hulk e Jackson que asseguraram e vão assegurar mais uns quantos milhões de euros em transferências. Claro que contam também com os negócios vantajosos que fazem com o Sporting, no qual Moutinho é um caso paradigmático.

Acima de tudo, o Porto mantém-se porque a figura tutelar que é a cabeça do polvo ainda mexe, mas qual castelo de cartas se esboroará após o seu fim, como aconteceu com tantos outros exemplos. Os campeonatos vão mascarando a má gestão, isso aconteceu com o Benfica no início da década de 90 e sofremos com isso durante muito tempo. Infelizmente, parece que ainda não conseguimos perceber as nossas fraquezas para que possamos assumir a hegemonia do futebol nacional. Se soubermos corrigir os nossos defeitos - nomeadamente através de uma pobre gestão de recursos humanos, não tão ruinosa como a do Porto ou do Sporting, mas bastante fraca quando comparada com a do Braga -, poderemos preparar-nos para dominar o futebol nacional nos próximos 15 a 20 anos. Não basta esperar que o Porto caia de maduro, é preciso agitar ou arejar a árvore e antecipar essa queda, pois outros há que já se vão posicionando, e o Braga é o melhor exemplo.

Para o "Superclásico" de hoje, óbvia fidelidade a Javier e Pablito


Que golo é este?


«Uma vitória inesquecível»


O Vermelho sobre o Ouro


Não conheço nenhuma receita ou remédio mais eficaz do que uma vitória do Benfica. 

Um período eleitoral difícil, uma jornada europeia pelo meio integralmente desfavorável , as baixas já conhecidas durante a semana motivadas pelo jogo na Russia e o tradicional grau de dificuldade na deslocação do Benfica a Barcelos, puseram à prova o grau de confiança e levaram ao extremo o grau da intranquilidade e da expectativa para esta 7ª jornada da Liga Portuguesa de Futebol.

Eram 19.30h quando saí do trabalho a voar para Barcelos dominada por um misto deste turbilhão e da minha habitual fé.
À entrada do Estádio fui brindada com a força de um grito capaz de acabar com qualquer estado letárgico em que me pudesse encontrar: “GOLO”! O coro de vozes e a forma como foi solto não me deixava margem para qualquer dúvida… o Benfica, mesmo atrasada, recebia-me assim. 
Sentei-me aos 8 minutos. Frio, o placard electrónico, o Estádio cheio (mas não lotado) e o Benfica a jogar com o equipamento alternativo, foram as minhas percepções imediatas ao som da banda sonora do jogo interpretada pelas incansáveis claques do Benfica e apoiada pelo público maioritariamente Benfiquista no Estádio Cidade de Barcelos, que só findou muito para além do apito final de Vasco Santos.

Jogo decidido nos primeiros 45 minutos com os 3 golos que ditaram, sem qualquer margem para dúvida, a conquista dos 3 pontos. Foi esta 1ª parte, com este Onze de “recurso” que JJ elencou , que mais gostei de vêr o Benfica a jogar esta época. Com André Gomes, Ola John e Luisinho na Equipa inicial, esta “versão” apresentou-se com um meio campo finalmente sustentado. Por incrível que possa parecer resulta. Não é JJ?..

Uma noite de estreia para os atrás enunciados que, para além de uma exibição de garantia, para os dois jogadores lusos teve o seu corolário nos golos que marcaram.
Ola John não marcou mas foi talvez o jogador que maior número de ataques produziu, sem se limitar à quantidade.
Formação, formação.. Não é este jogo que vem comprovar o que se tem vindo a defender há tanto tempo. Este jogo é só mais um entre tantas evidências.
Evidente foi igualmente a presença de tantos jogadores portugueses em campo, como há muito não se via e ainda... o significado daquele abraço do André Gomes aos adeptos Benfiquistas nos festejos do golo que marcou (o 3º).

O Gil acabou por não corresponder às expectativas criadas. Não criou dificuldades dignas desse nome durante os 90 minutos. 
Não foi a melhor noite para para os Gilistas muito devido à inspiração que os jovens Benfiquistas, sobretudo, se fizeram acompanhar nesta estreia. 
Após a expulsão de Enzo – algo inglória - esboçaram uma reacção mas insuficiente para conseguir ameaçar o controlo do jogo que o Benfica assumiu desde o primeiro minuto. 
Artur não fez uma única defesa na 1ª parte e, na 2ª, fez uma espécie de aquecimento.

Já a caminho de casa, e como é habitual, ouço a conferência de imprensa do JJ que me deixou completamente atónita.
Não serei com toda a certeza a sua maior defensora mas estarei muito longe de fazer parte dos seus maiores críticos no que ao seu trabalho diz respeito. 
No entanto, e ao fim deste tempo todo, reforçando a minha opinião sobre a sua manifesta dificuldade em gerir o aspecto psicológico e ainda mais o descontrolo linguístico, já devia ter criado anti corpos para discursos como o que ouvi hoje. Não criei. E duvido que alguma vez o consiga.
Desde as justificações das lesões com o relvado sintético do jogo da passada 4ª feira na Russia, às “tiradas” das dificuldades em gerir o plantel, passando pela opinião que emitiu sobre o Luisinho e terminando com o “ouro sobre azul”, o difícil é mesmo é existirem anti corpos que resistam a isto tudo.
Vamos por partes:

1- o Benfica, nas suas imensas e sofisticadas infraestruturas tem um relvado sintético pelo menos. Mesmo não sendo propriamente a mesma coisa, digo eu que não sou técnica, deve pelo menos servir para uma preparação dos atletas para que se possa evitar uma dizimação física tão grande nos jogadores;

2 – “Isto parece que é fácil, isto é difícil. As pessoas é que pensam que é o António, sai o Joaquim e pronto..."
E pronto JJ, quem sou eu para acrescentar mais alguma coisa a uma frase tão esclarecedora.

3 – “O Luisinho teve um bom jogo, mas sem fazer a comparação, não me iludo: campeonato é uma coisa, “Champions” é outra. Para aqui vai dando. São jogadores que estão a crescer. “
“Para aqui vai dando”?!? 
Uma oportunidade dada pelo autor desta frase, bem aproveitada pelo visado e é “premiada” assim?
Não está em causa que são jogadores que estão em processo de desenvolvimento, não está em causa o que ele sabe vê e ouve mais do qualquer um de nós diariamente já que conhece os jogadores melhor do que ninguém. Mas está em causa o que disse, que todos ouvimos, por ter sido dito numa conferência de imprensa.
Já ouvi chamar-lhe de “motivação”, “picanço”. Estranha forma de motivação esta, a menos que a motivação seja para o Melgarejo depois desta exibição do Luisinho!
Se tivesse guardado aquela curta frase para uma conversa com o jogador em local próprio, não duvidaria nada desta suposta técnica que alguns invocam. Assim, e relembrando o especial tacto de JJ, não só tenho dúvidas como não gostei! 
Não tenciono perder mais tempo com este episódio porque aí sim, corria o sério risco de alimentar o que não deve ser alimentado e secundarizar o que devia ter saído imaculado: o elogio à exibição de Luisinho no jogo hoje. Para mim, o "homem do jogo"

4 - E para terminar, o prémio do "momento da noite" (ou da verdade?!) vai para...




Um grande golo de Luisinho





Um jogador que dá preferência ao espaço interior em detrimento do básico colocar na linha para alguém cruzar é sempre um jogador com mais capacidade. O adversário espera a segunda opção e a partir desse momento, bastando uma simulação, está criado o desequilíbrio.

Quando Luisinho finta o adversário, deixando Perez na linha e procurando Lima, o golo, apesar de não parecer evidente, já estava muito próximo. Bastava que os outros dois fizessem, como fizeram, bem o seu papel. Ao minuto 1:02 Lima, excelente, recebe e dá em Perez com um só toque, alargando a jogada à linha, enquanto pede a bola à frente. E Luisinho? Luisinho, que inventou o golo, já o cheirava sem que os jogadores do Gil Vicente o imaginassem, avançando pela área à espera do passe que - desde o momento em que, junto à linha, fintou o primeiro adversário - ele já sabia que iria receber segundos depois. 

Perez, principal criador de passes de ruptura, desmarca Lima que, de forma simples óbvia mas não vulgar, já que tantos e tantos fazem o mais difícil em situações semelhantes, limita-se a fazer futebol: passe cruzado, na diagonal, para o pé de Luisinho, que atira para o outro lado da baliza.

Isto não é uma jogada de alguém que "só serve para o Campeonato". Muito menos quando o seu concorrente é um miúdo com talento mas ainda muito longe de ser a melhor solução. Só que Jesus adaptou, Jesus criou, Jesus inventou e portanto Jesus porá, à frente dos interesses do Benfica, a sua ideologia de catedrático valorizador de activos. 

E podias ser tão bom, Jorge.

sábado, 27 de outubro de 2012

Jesus vintage

Luisinho fez uma excelente exibição, mostrou - defensiva e ofensivamente - uma consistência que nunca Melgarejo conseguiu atingir esta época. O que diz Jesus sobre a sua exibição? "Não me iludo, aqui vai dando mas na Champions é diferente".

Um gajo não quer criticar nem malhar, um gajo procura encontrar o lado positivo, mas como conseguir ter esperança num gajo tão bronco?

Ter meio-campo é giro.

Urge preencher o meio-campo

Hoje teremos um jogo de grande dificuldade. A forma bem organizada como o Gil Vicente geralmente defende contra os grandes (especialmente em casa) aliada à boa exploração dos espaços que os adversários mais ofensivos deixam nas costas da defesa ou entre o miolo e a zona mais recuada fazem antever um jogo perigoso para o Benfica. A acrescentar ao perigo, está a razia que o plantel levou, entre lesionados, castigados e postos na prateleira.

Para um jogo deste tipo, convém abdicar da táctica usual de Jesus e preencher o meio-campo com jogadores que tenham duas características essenciais: qualidade na posse e imprevisibilidade. Miguel Rosa, chamado de urgência e não por algum tipo de estratégia coerente, parece-me ser o miúdo da formação com mais capacidade para aparecer já a titular - André Gomes deverá ir entrando, mas em jogos com outro tipo de dificuldade. Rosa, mais do que um 10, parece ser um médio de transição - ganha facilmente metros com bola, bom remate, excelente movimentação e capacidade defensiva ao longo de todo o jogo. Pô-lo-ia na direita, em apoio a Matic e a Maxi - no momento defensivo - e, em ataque, a explorar espaços interiores e combinações com César, Cardozo ou Lima, deixando a ala para o lateral.

Na esquerda, Pérez, também forte no apoio ao médio defensivo e excelente na capacidade que tem de descobrir espaços e criar jogadas de perigo com passes de ruptura. Ponho pela primeira vez Melgarejo a titular, porque é hoje um jogador com alguns princípios defensivos bem assimilados - ao contrário dos primeiros 3 meses, em que fez muita borrada. Alguns erros tiraram-nos pontos, outros não, mas existiram e decorreram de um risco escusado que Jesus optou por correr.

No meio, César. Não é ala, nunca será ala. A jogar, tem de ser no meio. E como Aimar parece estar a ser encostado...

Artur
Maxi, Vítor, Garay, Melgarejo
Matic
Rosa, Pérez
César
Cardozo, Lima


Como usar o instinto humano na manipulação de massas: A Experiência Milgram



"Mais crimes são cometidos em nome da obediência do que da desobediência. O perigo real são as pessoas que obedecem cegamente a qualquer autoridade" (Banksy)

Estes 4 anos começam bem...



Esta coisa aberrante não é o meu Presidente. É vosso, fiquem com ele. O Presidente de todos os benfiquinhas e benfiquistos.

O boneco Rui Gouveia

O Rui Gouveia pensa que são todos como ele: invertebrados com uma mão no cu.



 

4 anos para o abismo


O que se esperava: uma tragédia. Os próximos tempos serão de um definhamento tal que não dou 2 anos para esta gente que ontem votou no cacique começar a dizer que nunca nele votou. Felizmente hoje, ao contrário dos anos 90, ficam os registos do que se diz.

Quanto à "democracia" de aceitar os resultados e deixar de criticar: nem o Benfica vive em democracia nem nós alguma vez criticámos apenas e só por haver eleições. Desde 2009 - altura da antecipação de eleições para evitar concorrência (uma medida muito democrática) - que queremos este aldrabão fora do nosso clube. Assim continuará. 

Podem contar connosco.

Considerações sobre as eleições


O português e o benfiquista são uma espécie muito curiosa, festejam quando há sucessos, gostam de falar mal dos "chefes" quando estes falham, mas quando são chamados a decidir, gostam de passar a batata quente aos outros. Foi com surpresa que li a generalizada congratulação com a quebra do recorde de votantes das eleições, em vez dos 21.804 em 2000, desta vez foram 22.676 votantes, apenas mais 872 votantes e não 872 sócios pois as Casas também votaram em 2012.

A minha questão é simples, quantos sócios tinha o Benfica em 2000 (150-180.000 ?) e quantos tem em 2012 (250.000) ? Em 2000 só se podia votar no Pavilhão da Luz, actualmente além do pavilhão da Luz pôde-se votar em Famalicão, Coimbra, Évora e Faro (à semelhança de 2009) e via internet para quem vive nos arquipélagos dos Açores e da Madeira e no estrangeiro. Além destas possibilidades adicionais, hoje em dia o Benfica conta com cerca de 300 Casas do Benfica que também têm direito a 50 votos.

Ao contrário do que se tenta fazer passar, a percentagem de sócios que estão afastados das decisões do clube é maior e não menor que em 2000 A 31 de Dezembro de 2011 o Benfica tinha 221.676 sócios, dos quais apenas 54.565 não podiam votar, ou seja o Benfica tinha 167.111 sócios com capacidade eleitoral, com excepção dos que têm quotas em atraso e menos de um ano de efectividade. Assumindo os 250.000 sócios que tem actualmente tem e que não aumentou o número de sócios com capacidade eleitoral significativamente, vamos assumir que existirão 160.000 sócios com capacidade eleitoral. Se contarmos os votos das Casas do Benfica como se fossem sócios teremos tido uma abstenção de 85,8%.

Eu vou repetir para ver se entendem: 85% de abstenção.

Onde está esse triunfo do benfiquismo então ? Se só 15% dos sócios com capacidade se dignaram ou puderam votar, algo vai muito mal em termos de associativismo. Para que não pensem que quero minimizar a vitória de Luís Filipe Vieira, não lhe atribuo muitas culpas no cartório, pois a responsabilidade de não votar é mesmo dos abstencionistas. Preocupa-me que o Benfica se preocupe em ter cada vez mais sócios, mas não se questione porque não querem os sócios participar na vida associativa do clube.

E sim, as Assembleias Gerais do clube, sejam a que aprovou os Estatutos com 100 ou 200 sócios, seja a que reprovou as contas com 500 ou 600 sócios são fenómenos muito preocupantes do alheamento dos sócios. A participação cívica dos associados na vida do clube deveria ser um objectivo das direcções, mas parece que por qualquer motivo não o é. 600 sócios num universo de 160.000 é pouco mais que insignificante.

Outro fenómeno interessante e quem falou comigo sabe que sempre previ um resultado dentro do que aconteceu, é o desfasamento total da blogosfera em relação à realidade. Desde vitórias de Rangel por 60 e 70% nas sondagens dos blogs até ligeiras vitórias de Vieira, um pouco de tudo se viu. Na verdade, Vieira teve cerca de 83% e Rangel cerca de 14%. É a prova provada que a blogosfera pouca ou nenhuma importância tem na realidade. Por isso, da próxima vez que se lembrarem de dizer que as críticas nos blogs perturbam o Benfica, convém que reflictam no resultado das eleições antes de dizerem baboseiras.

Dizem que se destruiu o mito que se fosse 1 sócio 1 voto o resultado seria diferente, pois em vez de 83%, Vieira teria tido 80%. É verdade, mas não deixa de ser verdade que nos sócios de 1 voto Vieira tenha tido 78%, enquanto que nos de mais de 50 votos, o valor foi de 87%. Isto só pode ter uma leitura, quem é sócio há menos tempo está mais predisposto à mudança, enquanto quem é sócio há mais tempo prefere a tranquilidade do conhecido. É natural que quem está no poder e sabe que os mais velhos são mais avessos à mudança, prefira reforçar esse segmento pois se por ora não tem/teve oposição à altura, quando tiver, convém ter esse balão de ar, esse e o das casas.

Acerca do voto branco. Espero que todos aqueles que votaram em branco, convictamente por não se reverem nas opções em confronto, percebam da inutilidade desse voto. O voto branco, ou o nulo noutras eleições que não electrónicas, apenas são relevantes como voto de protesto se tiverem uma expressão significativa. Com 3,15% dos votos não mostraram ser minimamente relevantes, ou seja, a grande maioria reviu-se nas opções, em especial em Vieira.

Quanto a Rangel, por mais que tenha tido dignidade na derrota fez uma aposta completamente falhada. Surgiu tarde e a más horas, tentando cavalgar uma Assembleia Geral conturbada e com uma campanha onde teve duas pechas fundamentais: não afastou o fantasma Veiga e marcou a sua campanha demasiado pela negativa. É certo que foi vítima dos torpes ataques de uma imprensa que cada vez mostra ser menos imparcial e estar mais ao serviço de certos interesses, mas isso nunca o deveria ter levado à campanha pela negativa. As suas boas ideias não passaram e talvez com medo de um resultado mais expressivo, as bombas de Vieira - baixa do preço de quotas e bilhetes, passagem dos direitos de transmissão da Olivedesportos para a Benfica TV e promessa da conquista no futebol de 3 campeonatos, a presença numa final europeia e a conquista de 50 títulos nas modalidades - rebentaram com o fôlego que Rangel vinha criando. E sim, eu votei em Rangel convictamente por considerar que a lista tinha pessoas mais benfiquistas e mais competentes.

Mas atenção, não são 100 ou 200 arruaceiros como ouvimos frequentemente. São 3.744 os sócios que estão descontentes com Vieira ao ponto de ir votar numa candidatura alternativa geralmente vista como sendo pouco consistente. Mas além destes ainda houve mais 793 sócios que foram votar em branco, para punir Vieira pelo mau desempenho ou simplesmente não conseguiram confiar na lista B. Ignorar os descontentes, rotulá-los de arruaceiros e desordeiros do costume é contribuir para uma cisão que é bem visível ao ler o Facebook ou os blogs.

É certo que os que se expressam na internet representam apenas uma parcela insignificante da realidade, mas o não cumprimento de promessas feitas nos últimos dias de campanha será cobrada com juros elevados, e daí talvez não. O papão Vale e Azevedo não perdurará para sempre na memória dos benfiquistas. Se a oposição não hibernar durante 4 anos e as promessas não forem cumpridas, não tenho dúvidas que poderão apresentar uma candidatura com um projecto mais credível e sustentado.

A bola está do seu lado sr. Presidente. Já começou mal com esse discurso fracturante para quem não se revê nas sua gestão. Mas, o mais importante agora é o sucesso desportivo, nomeadamente as conquistas dos campeonatos no futebol e nas modalidades, as transmissões dos jogos da equipa principal do Benfica na Benfica TV, a baixa de preços das quotas e dos bilhetes, o reforço da capacidade financeira do Benfica. Vamos ver se será capaz de cumprir em 4 anos, aquilo que não fez até agora.

PS - Para quem andou a espalhar que os Andrades queriam a vitória do Rangel, basta passar pelos fora  e blogs deles a congratularem-se com a vitória de Vieira
PS2 - Leiam no Expresso, ou na Bola online o que deu verdadeiro gozo ao peidoso


sexta-feira, 26 de outubro de 2012

A vitória de Vieira



A democracia é assim mesmo. Os benfiquistas escolheram está escolhido. É a segunda vez que sou derrotado em eleições.  Na outra vez Tadeu também me parecia melhor opção. Espero que daqui a 4 anos não volte a ter razão. E não, não votei Vieira antes, votei em branco.

Vieira é o presidente de todos os benfiquistas. Lamento que dizendo-se o presidente que não dividiria os sócios comece os seus discursos no tom que o fez para quem não subscreve as suas ideias.

Da minha parte continuarei a reflectir sobre o Benfica, pois o Benfica sempre foi um espaço de liberdade de pensamento por muito que actualmente não o pareça. Agora só me interessa que o Benfica ganhe ao Gil Vicente e vou esperar pela apresentação dos próximos R&C.

Mobilização da Nação Benfiquista

Os benfiquistas responderam positivamente à chamada e continuam a exercer o seu direito, cumprindo, ao mesmo tempo, aquilo que é o seu dever: participar na importante decisão acerca daquele que deverá ser o rumo do Benfica para os próximos anos.

Por esta hora estão contabilizados cerca de 13.500 votantes. É obra, e pelo andar  da carruagem o recorde das eleições de 2000, nas quais 21.804 benfiquistas depositaram os seus votos, poderá ser pulverizado.
 
Isto sim, é o Benfica.