sexta-feira, 15 de maio de 2009

Vários estádios

- Numa altura em que os benfiquistas carpem as mágoas de mais uma época decepcionante, o treinador do "novo ciclo" está escolhido: Jorge Jesus. Esquecendo as razões calculistas e interesseiras da actual Direcção com esta escolha e a vontade de, contratando um técnico promissor com boa receptividade junto dos adeptos, ganhar mais umas eleições, diria que é, das opções avançadas e possíveis, uma das que mais agrada. Jesus é competente, é ambicioso, espera ardentemente a possibilidade de demonstrar num grande as qualidades que julga (julgamos?) ter e conhece como poucos a realidade tão específica do lamaçal que é o campeonato português. Por tudo isto, Jesus aparece aos meus olhos como a solução certa para treinar a equipa principal do Benfica. Mas não deixo de ter, bailando, dançando e sapateando, uma dúvida: por quanto tempo a massa benfiquista aceitará um treinador português? Outra dúvida: se Fernando Santos, que fez um excelente trabalho no clube, nunca teve os adeptos do seu lado, será Jesus capaz de operar um milagre na mentalidade daqueles néscios que assobiam jogadores, acenam lenços brancos, cospem na inteligência e comem doses massivas de boçalidade ao pequeno-almoço? Tenho dúvidas, mas está na altura de o Benfica não ecoar infinitamente sob as vozes da tacanhez de espírito. Está na altura de filtrar as opiniões. Que Jesus possa ter um eterno descanso. O descanso que os santos não tiveram. Que Jesus veja a Luz que Santos não viu. E prometo que esgoto aqui os parvos trocadilhos. Mas não juro pelos jornais desportivos.
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- Um benfiquista para cada boa acção que vê na direcção do Benfica vê logo outra má. Não há como enganar. Desta vez, depois da boa escolha de treinador, são as contratações de jogadores sem que o técnico tenha voto na matéria. Não sei quem é Álvaro Pereira, desconheço se é craque ou se é mais um Balboa (parece que custa os mesmos 4 milhões de euros), mas de uma coisa tenho a certeza: contratar jogadores antes de ouvir o novo técnico é um erro crasso na construção de um plantel. Erro que persiste ad eternum. Já vamos com dois laterais. Quantos mais virão antes de Jesus chegar pela primeira vez à Caixa Futebol Campus?
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- Quique sai pela porta pequena. Confesso que acreditei neste homem. Mais pela sua qualidade de discurso do que pela sua qualidade como técnico. No fundo, acreditei que a sua postura inteligente seria capaz de inundar a forma como o espanhol via e vê o futebol. Infelizmente, enganei-me, enganou-se, enganou-me. Quique nunca conseguiu demonstrar no Benfica ser capaz de ver o futebol através dos olhos universais, antes fechando-se na sua concepção de forma autista, teimosamente egocêntrica e nada condizente com a realidade. Não foi humilde, não quis aprender e com isso ganhou um bilhete de volta a Espanha. Acho bem. A estabilidade é um conceito que só pode rimar com competência e essa Quique provou desconhecer ao longo do tempo.
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- Na votação ali ao lado, Veiga domina a intenção de voto dos benfiquistas. Acho curioso, no mínimo. Há dois meses os resultados seriam tão diferentes que, tal como fico curioso com a votação, fico espantado com a força crescente da blogosfera. "Bastaram" uns textos do José Marinho no Mágico SLB para que a opinião pública benfiquista, de repente e sem aviso, tenha encontrado no homem do capacho do Luxemburgo a poção mágica de Panoramix para a debilidade benfiquista. Nem tanto ao mar, meus companheiros. Vieira não será seguramente o presidente eleito por este blogue, mas julgamos manter todos a desconfiança típica dos que se julgam inteligentes. Aqui, Veiga ainda não convenceu ninguém. E terá de penar muito para que algum dia o faça. Entretanto - e julgo que falo pelos meus caros colegas do Ontem... -, sabemos uma coisa: queremos mudar de pneus.

4 comentários:

JFC disse...

Jesus vai ter uma coisa que o Santos nunca teve: o arrependimento dos adeptos. Hoje todos (inclusive eu) reconhecem méritos ao trabalho de F.SAntos. Hoje, diferentemente, de ontem Jorge Jesus vai ter condições de trabalho menos adversas do que tiveram por exemplo Santos ou Jesualdo. O factor de "arrependimento" por ter pressionado demais a equipa e sobretudo ter pressinado demais os treinadores que treinaram a equipa já é determinante na maioria dos benfiquistas.

Para alem disto, nao esquecer que Jesus está extremamente bem cotado para a maioria dos Benfiquistas fruto do bom (nao excelente) trabalho realizado em Belem e em Braga. No seu terceiro desafio começado por B. vamos ver como se sai.

Maestro disse...

Essa ultima frase foi de mestre.

Tambem concordo.

Abraço Benfiquista

Ricardo disse...

JFC,

nunca tinha pensado nisso. Bem lembrado. O arrependimento daqueles que escorraçaram o Santos e que agora percebem que deviam ter apoiado o treinador português talvez seja uma boa bomba de oxigénio para Jesus. Assim esperemos.

Que pena que, em vez do arrependimento agora, os benfiquistas não tenham apoiado Santos antes...

Ricardo disse...

Mais uma petição? Vou abri uma petição para pedir aos gajos das petições que não venham aqui falar em petições.

Maestro, grande Abraço.