Momento «vamos acalmar o pito»: Temos uma final para ganhar, não é uma final já ganha. Só naquela de não irmos já outra vez armados em campeões antes de tempo. Vitória, equipa bem orientada, bons jogadores, adeptos do melhorzinho que existe no país. Portanto, é ir com coragem, vontade, confiança, mas sem o que tem feito perder quase tudo nos últimos anos: soberba, arrogância, bazófia. E depois então, se a ganharmos, festejemos que bem merecemos uma alegria.
Ontem vi-te no Estádio da Luz
Sexta-feira, 24 de Maio de 2013
Ontem não te vi a ganhar nada.
É só para avisar que vou querer uma foto de família com todos os bigodes que forem ao Jamor. Com tanta esperança e desilusão, não tenho falado do assunto, mas é para pelo menos conseguirmos 40 bigodes para a posteridade.
Etiquetas:
Campanha EU VOU AO JAMOR DE BIGODE
Quinta-feira, 23 de Maio de 2013
De Abrantes à Barquinha, com camisolas do Benfica
Há muitos anos atrás, ainda o chato do José Nicolau de Melo - que no Facebook pede abraços, ainda que mudos - tinha orgasmos em directo com os passes do Bobó para o Ricky Owubokiri, a equipa de infantis do Benfica de Abrantes saiu do famigerado Campo do Bairro Vermelho para aquele que seria um dia épico, provavelmente o mais épico de todos os dias que o clube viveu.
Para minha fortuna, eu presenciei este episódio de perto, visto que era um dos 10 putos que ia na carrinha do clube, de estofos rotos, vidro partido, motorista – que era simultaneamente Director-Desportivo, enfermeiro, empregado de limpeza e churrasqueiro - e algumas letras do nome do clube desaparecidas, metamorfoseando-nos nos jogadores do “Sor Arates e enica”. Os outros 8 foram no carro dos pais, recebendo quilómetros a fio os conhecimentos futebolísticos da família – “Zé, tu agarra bem o gajo, não o largues”; “Paulo, quando chegares à zona da grande área, rematas, não passas a bola a ninguém!”; “Ouve o teu Pai, Toninho, não oiças o que o treinador diz, começas a correr, vais à linha e cruzas”, conselhos que o Mister Bragança detestava ouvir durante o jogo, quando os pais dos atletas, propositada e arrogantemente, cantavam, encostados à estrutura de ferro e banco de madeira e que os aprendizes atiravam fora como atiravam a Gorila de Laranja quando começava a azedar.
O caminho levar-nos-ia ao campo pelado do Vila Nova da Barquinha, terreno mítico - já na zona exterior da vila, apenas circundado por um recinto onde se assavam frangos, se bebiam toneladas de vinho e onde as velhas levavam o bigode a molhar os beiços na aguardente medronheira que sempre acompanhava as festarolas de Verão - por ter assistido “in loco” ao homicídio de um árbitro mais avesso às vontades do povo indígena, acabando pendurado por uma corda numa das balizas. Felizmente que esta história só veio à baila muitos anos depois, em conversa no Tonho Paulos – café abrantino onde a democracia junta degenerados, alcoólicos, drogados, pais de família e padres; caso contrário, ter-me-ia dado longos e trágicos pesadelos nas noites anteriores ao jogo.
A viagem tinha tudo para correr bem. O motorista surpreendentemente não estava bêbado; o mister, talvez por ter discutido com a mulher no dia anterior, não debitava prelecções sobre o jogo; os jogadores encontravam-se todos de boa saúde, sem lesões, embora o Coutinho aparentasse uma ligeira mazela no joelho esquerdo, provavelmente resultado da queda que dera na noite anterior no pavilhão do Pego e que, por motivos óbvios, não podia revelar, não fosse o Mister abdicar dos seus serviços por comportamento pouco profissional.
A este respeito, o Coutinho e outros (não me acuso), tínhamos (acuso-me) uma desculpa quase impossível de contrariar: Chalana, ele próprio, rei dos relvados e rei dos bigodes, fartava-se de jogar em pavilhões sempre que ia a Abrantes passar férias com a família da mulher Anabela, abrantinos de gema. No entanto, o Bragança, que era sportinguista, mostrava-se pouco solidário com as histórias de lendas benfiquistas, recusando comportamentos desviantes à boa prática da modalidade. Fosse o exemplo um Manuel Fernandes ou um Jordão e talvez a sensibilidade do Mister se potenciasse a um ponto de compreensão, mas isso são suposições que, a esta distância nos anos, abdicamos de fazer.
De modo que, tirando a suposta lesão do Coutinho, o plantel estava de boas saúdes e o ambiente na carrinha corria de feição. É verdade que o sistema de amortecedores da carrinha gemia de velho, e que as conversas eram entrecortadas por rápidos saltos no asfalto, o que até sabia bem porque dava aquela vertigem na barriga. “Vá mais rápido, Senhor Antunes”, gritávamos de trás, na esperança de mais uma lomba.
Se fosse possível voltar no tempo para dentro daquela viagem, talvez fosse difícil admitir que aquela gente ia para um jogo de futebol, tais eram os assuntos díspares que percorriam o ar por dentro da carrinha. Desde as invenções de uns em relação a supostos feitos sublimes com mulheres – havia quem jurasse a pés juntos, sem figas, que dois dias antes tinha dado um beijo à Carolina, diva do 5ºB, rapariga de faces rosáceas e aquilo que parecia ser o princípio de mamas, embora ninguém tivesse a certeza – à efabulação de corajosas aventuras, entre as quais, a melhor de todas, a que o Pires contava sobre ter comido, ao mesmo tempo!, amendoins, tremoços e um pastel de nata. Quando esta história foi contada, toda a gente se calou, até o treinador e o motorista. Era, de facto, um feito extraordinário, só ao alcance dos duros e todos os outros (confesso-me) sentiram aquela pontinha de inveja que se nos agarra e da qual não nos conseguimos libertar. Bem que eu queria ter sido o herói desta junção de sabores mas a sinceridade obrigava-me a admitir a mim próprio que o máximo que conseguia fazer era comer 5 carcaças seguidas com manteiga e tulicreme.
Se isto fosse um filme, o realizador traria ao público, em plano apertado, a cara do Rocha quando ouviu a história do Pires mas como isto não foi e não é um filme ninguém notou o movimento gástrico que fez o nosso avançado pedir para parar a carrinha 10 minutos depois. Continuámos no fingimento infantil de sermos adultos enquanto na rádio passavam anúncios de ourivesarias, mini-mercados e músicas do José Malhoa.
Foi só quando, a 5 quilómetros da Barquinha, o Rocha começou a meter as mãos à cabeça que alguém gritou para o mister: “Shôr Bragança, acho que temos de parar!”. A carrinha, que a esta altura ia a alta velocidade, uns 60 quilómetros/hora, começou a travar, a traseira guinou toda para o meio da outra faixa, e lá embicou para o meio do mato, entre um poste de electricidade e um pinheiro tronchudo. O ponta-de-lança abriu a porta corrida com as duas mãos, começou a correr, fintou dois arbustos e acabou a vomitar numa ponte que dava para uma horta. Escusado será dizer que as folhas dos pimenteiros levaram rega para dois anos. E abstenho-me de contar aqui os impropérios que a velha, dona do terreno, vociferou porque há coisas que devem manter uma certa discrição de palavreado.
O mister, responsável pelo jovem imberbe – ainda que goleador nato -, aproximou-se do Rocha, preocupado com a saúde do mesmo (mas também com a possibilidade de perder um activo de grande importância!) e perguntou-lhe: “Ó que caralho, Rocha, mas o que é que tu comeste hoje?”, ao que o avançado-centro, ainda esbranquiçado de cal e temeroso da reacção do treinador, respondeu: “ó shôr Bragança, desculpe-me, comi 3 pratos de feijoada”. Estávamos arruinados. O mesmo é dizer: estávamos fodidos.
Sem o nosso abono de família, melhor seria projectar uma táctica que nos permitisse empatar ou, vá – na melhor das hipóteses –, ganhar por um ou dois. “Goleadas, esqueçam”, gritava o mister, já esquecido das quezílias pessoais da noite anterior – em que, diriam os relatos posteriores, teria levado duas chapadas da mulher por ter sido visto no Tiagu´s Bar a apalpar duas venezuelanas com filhos – e totalmente focado nos objectivos da equipa.
O Rocha por esta altura mantinha-se calado, entregue aos suspiros, aos ais, aos gemidos semi-surdos, procurando convencer o estômago de que estava bem. Bocejava, e a cada bocejo tínhamos medo de que em vez de pimentos pintasse de feijões os nossos pés. Felizmente que o Rocha tinha gasto a tinta toda na horta da velha e já estávamos a chegar com a nossa carrinha ao terreno de jogo.
Parado o veículo, saídos os adultos, saímos todos com a nossa bolsinha das chuteiras debaixo do braço e, para não dar alento aos atletas do Barquinha que nos recebiam com olhares entre o medo e a raiva, metemos o nosso ponta-de-lança no meio de nós, e ninguém chegou a ver o ar de vómito com que ele entrou no balneário. Sentámo-nos nos banquinhos de madeira, pusemos os casacos pendurados em cima de nós e olhámos o mister com ar de preocupação. O Shôr Bragança sacou do seu papelinho das tácticas, cofiou a bigodaça, olhou o motorista (que era também Director-desportivo, empregado de limpeza, enfermeiro e churrasqueiro) e disse: “Ó Antunes, dá uma aspirina ao gajo!”.
De repente, levantou-se uma esperança naquele balneário com cheiro a suor, lixívia e roupa encardida: o Rocha afinal ia jogar. O Bragança leu os nomes dos titulares, enquanto ia entregando as belas camisolas vermelhas, uma a uma, e, quando o “9” voou para as mãos do nosso ponta-de-lança com hálito a couves e morcela, sabíamos que o dia estava ganho – a não ser que alguém acabasse com uma corda no pescoço. O Rocha ainda protestou: “mas a minha barriga, Mister…”, só que o técnico, avalizado nestas matérias, ignorou a frase e enviou-o para o terreno de jogo. Os misters sabem o que fazem. Levantámo-nos, abraçámo-nos em jeito solidário e paneleiro, gritámos “Benfica” e fomos para dentro de campo, onde fomos recebidos em apupos pelos bêbados e mães locais e com uns aplausos das famílias abrantinas que tinham levado os filhos.
O jogo correu de feição, ganhámos. Quando chegámos ao balneário, ao intervalo, todos bebemos chá verde quente menos o Rocha, que não merecia por ter sido pouco profissional. No fim, com as pernas presas de lama, frio e toneladas de cãibras, ouvimos, desinteressados, o shôr Bragança, que continuava chateado – não sabemos se com a mulher, se com o Rocha. Mas sorriu levemente. Afinal, tínhamos brindado o Barquinha com um 17-0, sem espinhas.
O Rocha? Pena ter comido aquela feijoada. Só marcou 14 golos.
Etiquetas:
Benfica de Abrantes,
Memória e nostalgia
Prospecção
Depois de Djuricic, Markovic. O Benfica está, muito bem, a apostar na qualidade histórica dos jogadores dos balcãs. É este o caminho - mais prospecção na Europa e menos contentores de sul-americanos. São, em regra, jogadores de qualidade técnica elevada, bom porte físico, conhecimento sobre o jogo. Duas excelentes contratações para Jesus moldar.
Etiquetas:
Djuricic,
Jesus,
Markovic,
Prospecção
Quarta-feira, 22 de Maio de 2013
Hoje de manhã, o discurso de um responsável do Benfica:
"A época foi perfeita, fizemos a emissão obrigacionista de que precisávamos, vendemos como nunca a marca do clube, valorizámos jogadores, vendemos os jogadores necessários sem prejudicar muito a equipa, foi um sucesso. A única coisa que faltou foi mandar o povo para o Marquês!"
Não, isto não é ficção. O senhor disse mesmo isto.
Fórmula Matic
O Benfica já contratou duas tias-avós de Matic - Rowena Matic e Jelena Matic - para a limpeza das escadas entre o Piso 0 e o Piso 1, dois primos afastados de Matic - Igor e Milos Matic - como Securitas, um cão da avó de Matic - Loka Matic - para a supervisão de drogas na zona das claques, dois pintassilgos do genro de Matic - Kiki Matic e Popotic Matic - para assobiarem os árbitros durante os jogos em casa, um amigo com influência e reconhecida competência na Sérvia de um amigo de um amigo de outro amigo de Matic - Filip Matic - para Presidente do Benfica e um elefante que a cunhada de Matic tem em casa - Dumbic Matic - para regar, a troco de frutas, os jogadores do Porto quando eles forem campeões na Luz.
Ah e também contrataram o irmão de Matic - Uros Matic. Este parece que é para jogar futebol.
Etiquetas:
família amigos e animais de Matic,
Matic,
Uros Matic
Terça-feira, 21 de Maio de 2013
A amante do Costa Pereira
Não sei a que propósito está um penso higiénico gigante a dividir os adeptos mas aceito tranquilamente que entre Milan e Benfica o sangue de vermelho escarlate inundasse o estádio em transbordos necessitados de medidas drásticas que estancassem aquele rio festivo. Há um manto negro, bordado a dourados, com uma coroa no centro por cima do que parece ser um portão de um palácio e em baixo gente de fato amenamente conversando e cruzando as pernas.
Um polícia, ou o que parece ser um polícia, abre os braços tocando ao de leve no nariz de Coluna - nos anos 60 era intensa a luta contra o uso de cocaína, embora ninguém o admitisse. Veladamente, tocavam ao de leve nos artistas e inspeccionavam-lhes as narinas, como se nada fosse. Coluna manteve-se sério e sereno, menosprezando aquele claro desrespeito ao jogo e à sua conduta. Os ares que lhe davam, se os havia, eram de etílico ingerido antes do encontro, coisa pouca, quase nada, um cheirinho (calma!) de moscatel de Setúbal, aqui e ali uma medronheira enquanto se atavam as botas pesadas. Tudo para além disto era boato e coisas lá dos tontos dos ingleses.
À esquerda, um poste que nasce no primeiro anel e sobe até ao tecto da estrutura - poste naturalmente britânico, muito visto pelos estádios de Sua Majestade e às vezes em Portugal, embora em Barcelos tenham decidido abdicar das estruturas bamboleantes do antigo estádio, onde uma vez fui ver o Benfica subindo da estrada para as bancadas por umas escadas de madeira com um dos mastros despegado do resto dos toros horizontais, numa clara alusão ao facto do difícil que é apanhar um Galo.
Há ali gente - ou havia, não sei bem se estão todos connosco, vamos assumir: não estão - que passará o jogo dando cabeçadas no vizinho do lado, sempre que quiserem ver o Eusébio e o Coluna levarem grandes ceifadas dos italianos catenaccios - dirão: "well, excuse me, mister, won´t you take a look around?" e farão grandes juras de vingança ao amigo que lhes comprou o bilhete para trás do poste.
Nota-se, no entanto, à direita uma certa zona desértica, provavelmente fruto dos cheiros que os ultramarinos adeptos do Benfica emanavam e que ao olfacto mais refinado do adepto inglês parecia coisa das áfricas e de memórias nefastas - houve alguns, inclusivamente, que, num vergonhoso gesto de falta de "fair-play", decidiram abandonar o jogo em protesto - se era para se darem com pretos, então tinham ido à casa de putas, que pelo menos ali ninguém os via. Este gesto ainda hoje é falado - embora estranhamente olvidado pelos meios de comunicação mais atentos - nos corredores das conversas entre adeptos e só não mereceu devida punição por parte das instâncias responsáveis porque se estavam a guardar para verter tudo uns anos depois, aquando de um certo jogo, não nos recordamos bem, entre o Liverpool e a Juventus. Coisas estranhas, de facto, podem passar-se em frente a um relvado. Ninguém sabe ao que vai quando se decide a ir observar uma bola laranja ser pontapeada por brancos e pretos - e até mulatos! - a um antro do "soccer".
O porquê de estar um homem de kilt com uma bandeirinha caída sobre os pés em frente aos polícias e adeptos com tarjas ainda hoje resiste no silêncio sepulcral do imaginário futebolístico. É possível que, à falta de vestimenta devidamente lavada, engomada e dobrada por parte da esposa, o senhor tenha decidido explorar todas as suas raízes serranas das quais às vezes tinha vergonha, outras sentia orgulho, mas disso, porque caminhamos em terrenos baldios das suposições mais inqualificáveis, pretendemos fugir a sete pés, visto que acabámos de visualizar um número 3 com um homem dentro.
Desconhece-se a origem do senhor, o nome ou as preferências gastronómicas; o certo é que caminha, entre o fotógrafo e o árbitro, numa diagonal lancinante, virado para o seu lado do campo, cheio de medo do Benfica. Não nos opomos a tal opção, afinal falamos apenas e somente do bicampeão europeu, muito provavelmente tricampeão, se o árbitro e as circunstâncias assim o permitirem. Agora que olhamos com a merecida atenção, reparamos que, na primeira fila, se encontra um homem de azul, dando pequenas dicas, mezinhas, inadmissíveis truques ao "3" italiano, tudo isto nas costas do árbitro que, de uma forma vesga, consegue ler os símbolos dos clubes nas camisolas dos capitães enquanto valida o aperto de mão.
Desconfio sempre de gente que leve junto ao coração tão grande insígnia da FIFA. Se a isto adicionarmos a popa ultrajante e um certo ar de enfado, de quem está mortinho para largar aquele sol que mais parece vindo dos calores da Andaluzia, onde passava grandes temporadas de chinelos e meias brancas, camisolas da selecção e canecas de cerveja na mão, começamos a compreender que o destino do Benfica naquela tarde estava dramaticamente pintado a tragédia. Com o indicador da mão direita, coça o colhão direito; com o cotovelo do braço esquerdo, lesiona o cotovelo direito de Coluna. Sobre isto, meus amigos, nuncia vi a Fifa pronunciar-se.
É evidente que Mário Coluna teve uma erecção - chega de tanto fantasioso justificar sobre o tema. A explicação é simples: Coluna envergava aquilo que parecia ser uma bandarilha com a qual - julgava ele, o ingénuo! - acabaria com o toiro italiano, fosse aos 3 minutos fosse no fim do jogo. Mário - que já vinha quentinho do balneário; relembre-se todo o tratado sobre hábitos alcoólicos explorado acima - puxa, de forma metódica, o galhardete do Milan para juntos dos dedos, enquanto observa a natureza de Cesare, prepara-se mentalmente para uma faena imperial, sob a coroa britânica, mirando não os olhos mas os gestos, e todo o estratégico plano - fotografado, aliás, pelo homem que, agachado, tira essa imagem memorável das costas do árbitro para a posteridade - foi por água abaixo com uma entrada assassina desse anti-benfiquista, abutre mesmo!, chamado Trapattoni, um homem que teve a veleidade de, anos mais tarde, vir conspurcar o Benfica com um título de campeão nacional, numa altura em que a prioridade seria a valorização de activos. Podemos agora culpar Giovanni pela entrada ríspida que aniquilou o nosso motor do meio-campo, mas acima de tudo devemos responsabilizar o italiano por ter vindo destruir a ideologia actual, vencendo um campeonato em detrimento de dotar a SAD de vendas astronómicas que pagassem juros sobre juros sobre juros que depois não são pagos. Os italianos sempre foram muito malucos.
Do que eu não me esqueço é da bola laranja, enfiada num jardim de cal em redondel. Está ali vendo tudo, o couro brilhando sob o sol de Wembley, à espera, desesperada, de um pontapé e depois do golo e do abraço das redes e do regresso à cal e dos voos para as áreas e dos aconchegos das cabeças e das idas e voltas - eterna diáspora -, de um lado para o outro, indecisa, depois segura, indo e vindo, para trás e para a frente, de costas, em contra-mão, aos soluços, aos gemidos, às voltinhas. Vê os pés do Coluna abertos, cheios de vontade; vê os pés do Maldini, fechados, hesitando; vê os pés do árbitro e ignora.
A bola laranja fez golo três vezes e nas três aninhou-se nos braços dos guarda-redes. Infelizmente para nós, gostava mais do Costa Pereira.
Segunda-feira, 20 de Maio de 2013
Obrigado, pintinho.
Algo para reflectirmos sobre o que se passa neste país: em Lisboa, onde os portistas estão em clara minoria, os adeptos do Porto festejaram tranquilamente o campeonato. No Porto... bem, no Porto vocês sabem o que se passa sempre que os benfiquistas tentam - atenção: tentam! - festejar os seus títulos.
Para quê ver futebol?
Juro que tentei ver o lance do penálti a favor do Porto como um engano natural. Vi e revi o lance, quis descobrir um ângulo pelo qual o árbitro tenha podido ver aquilo como penálti ou o assistente tenha sido enganado pela rapidez do lance.
Não há. Não existe forma de ver isto como um acidente, um erro humano, uma falhazita que acontece. Foi marcado penálti porque o árbitro quis inventar um penálti - com expulsão e tudo para acabar com as dúvidas. E isto, independentemente de todas as críticas que temos a fazer e fazemos à nossa estrutura ou ao treinador, é inadmissível.
São 30 anos desta nojeira. Apetece pegar nos trapinhos e desistir de ver futebol. Um campeonato adulterado não serve a paixão dos adeptos. Só mesmo o amor incondicional ao Benfica me faz continuar a ir aos estádios, mas um dia...
Ontem vi-te no Estádio da Luz
Ontem estive no Estádio da Luz e vi mais de 50.000 almas, umas mais crentes outras menos crentes mas todas a apoiar e a sofrer pelo Benfica. No próximo Domingo não sei se os vou ver no Jamor.
Sei que vi muitos benfiquistas em Amesterdão a cantar e a empurrar a equipa para aquilo que não conseguiu atingir. E cada vez que os vejo no exterior fico a pensar porque é no Estádio da Luz é impossível replicar esses ambientes fantásticos.
A ver se percebemos, o Benfica perdeu o campeonato porque foi incompetente. Quem perde um campeonato entrando nas últimas 3 jornadas com 4 pontos de avanço e 2 jogos em casa, é incompetente. O Benfica foi muito competente em campo durante a maioria da época. No entanto este mês de Maio tem sido dramático.
Os erros da estrutura foram aqui já apontados ene vezes ... Mas não houve só erros de estrutura. Houve erros de jogadores e treinadores que originaram as derrotas. Mas a época ainda não acabou.
Algo está mal no Benfica. Se estamos melhor que há 10 anos, é verdade. Mas será que é com o pior Benfica de sempre que queremos estar a compararmo-nos. E não Jesus, não faz história quem está nas decisões, faz história quem ganha. Para ganhar é preciso estar nas decisões e Jesus tem mérito de nos fazer aí chegar, mas não chega.
Enquanto a equipa não entrar com a mentalidade que tem que ganhar em todos os jogos, não facilitando em certos jogos nunca quebraremos o domínio do Porto. Para quem não percebe que é uma questão de cultura, vejam o que se passou no Andebol e no Hóquei em Patins.
A Taça de Portugal é a prova raínha do calendário nacional. Não vamos ao Jamor há 8 anos e não ganhamos a Taça há 9. Por muito que tenha sido importante chegar às decisões, é inadmissível perder o jogo do próximo Domingo.
PS - podem mas é meter os petardos no cu e rebentá-los. Quando será que percebem que o Benfica farta-se de pagar multas por causa dessa merda ? Este ano o Benfica teve que pagar mais de 100.000 euros de multas por causa dos petardos. Ontem até a águia assustaram por rebentarem petardos quando ela voava.
Etiquetas:
Cultura de vitória
Domingo, 19 de Maio de 2013
CARLOS ABREU AMORIM, político do PSD - mas podia ser de outro partido qualquer, dá igual -, escreveu esta nojeira no seu mural. A tromba deste homem tem de ser bem conhecida: ninguém, muito menos uma figura pública que "nos" governa, tem direito a ser tão imbecil. Fixem bem o nome. E a tromba do bicho. Os magrebinos cuidam de ti, CARLOS ABREU AMORIM.
Etiquetas:
Carlos Abreu Amorim
Para que fique escrito antes de sabermos do desfecho do campeonato:
devemos renovar com Jorge Jesus. Após duas épocas a cometer erros - mais do que básicos, erros estranhos - o que Jesus fez este ano com o plantel desequilibrado que tinha na mão é de uma qualidade inegável.
O campeonato está próximo da perfeição - um erro crasso, é certo, contra o Estoril, que provavelmente custou-nos o título, mas porque o Porto tem feito outro fabuloso campeonato -, na Champions falhou, mas recuperou na Liga Europa onde chegou à final com todo o mérito e a perdeu com muito, muito, muito azar - o que eu vi em Amesterdão ao vivo, aquele jogo da nossa equipa contra uma equipa forte apesar de mal orientada, não é obra do acaso: há trabalho de qualidade de Jorge Jesus; provavelmente, o melhor jogo do Benfica em toda a época. E ainda o Jamor, onde provavelmente levará a Taça para o museu do Benfica.
Nunca posso considerar "brilhante" uma época em que o Benfica "só" vença a Taça de Portugal, mas posso deixar de olhar apenas para os resultados e analisar o caminho até às decisões. Jesus inventou, criou, desenvolveu novas soluções num plantel parco de alternativas credíveis para certas zonas do campo - laterais, centrais, médios 6 e 8. Não será brilhante, mas será muito boa uma época em que ganhemos Campeonato e Taça e boa se apenas ganharmos a última, tendo em conta a presença na final de uma competição europeia e um campeonato disputado até à última jornada.
Jesus tem defeitos? Tem e continuará a tê-los enquanto não estiver sustentado por uma estrutura que, nas alturas cruciais, saiba calar-se quando deve e falar quando não deve estar calada - no Benfica, é ao contrário: a possibilidade de sucesso fez com que a cagança voltasse a surgir e a partir desse momento foi o descalabro. Mas o maior erro da estrutura esteve antes, muito antes: quando não deu ao seu treinador o que era evidente que ele tinha de ter: pelo menos mais um médio que servisse de opção a Matic e Enzo, um central de qualidade superior ao fraco Jardel e um lateral-esquerdo que não estivesse em aprendizagem dentro da competição. Não lhos deram, Jesus fez o que pôde. Mas não pôde tudo, como era expectável. E, assim, nos momentos decisivos, o Benfica falhou.
Não se perguntem se Jesus deve ou não renovar - deve; perguntem-se antes se devemos renovar com estes dirigentes - não devemos. Enquanto Vieira se mantiver no Benfica, nunca teremos sucesso continuado - tenham lá o Mourinho ou o Guardiola ou o Jesus. Porque o homem ainda antes de poder ganhar alguma coisa já demonstra não saber ganhar coisa nenhuma. E por isso perde. E perderá. E perderemos mais vezes do que as que ganharemos. Mesmo que, de tempos a tempos, apareça um título esporádico. Que, rezemos todos à espera do milagre, pode ser já hoje.
Peregrinação
Está feita a promessa: se formos campeões, vou a pé até Paços de Ferreira. Se há uns malucos que fazem milhares de quilómetros por uma coisa inexistente, parece-me que pelo Benfica faz um bocadinho mais sentido.
Etiquetas:
Benfica-Moreirense 2012/2013,
milagre,
Paços de Ferreira,
peregrinação,
sonho
Sábado, 18 de Maio de 2013
Kentucky Fried Entremeada
Ali, onde agora vive um senhor mamarracho de nome Colombo, era um baldio de terras aos solavancos, couves, armaduras de príncipes antigos e casas da idade do Fernando Pessoa. Ali, onde a esta hora senhoras elegantes e meninas petulantes encontram mais uma fantástica bugiganga para encher a vaidade dos quartos e salas de estar, foi, um dia, um parque arcaico de estacionamento, um caminho tortuoso até à catedral e uma enorme sala de repasto benfiquista. Ao ar livre, como tinha de ser.
O carro estacionava-se a 2 quilómetros do Estádio e a partir daí punham-se galochas e enfrentava-se o lamaçal. Antes de chegarmos ao repasto, deliciava-nos todo aquele benfiquismo em forma de gente: grupos de 10, 15 pessoas faziam círculos imperfeitos em volta de uma fogueira, de um fogareiro e de uma panelona digna de reis que no seu interior aquecia e amparava um bruto cozido à portuguesa ou, para os mais sensíveis às vicissitudes das transformações gástricas, um belo de um caldo verde, recheadinho com chouriço do melhor que podia haver; para beber, tinto, que era a cor e bebida naturais de quem, por dentro, levava acesa a chama imensa.
Normalmente, eram homens, pais e filhos, poucas mulheres e ainda menos filhas. No entanto, a equipa feminina de cada família tinha também o seu ofício, visto que vinham das mãos delas os repastos que tanto aconchegavam o estômago e o coração dos seus mais-que-tudo. A fome e a sede, ali, naquele sítio onde hoje ardem galinhas de Kentucky e carnes do Sr. MacDonald, não eram mais do que a medida certa para o impulso de noites de glória. Começava com o ritual de comer e beber; acabava em goles de golos.
Para quem não levava metade da casa atrás, esta era uma visão que aproximava e apaixonava e servia de entrada ao que viria a ser a refeição, sentados que ficávamos em banquinhos corridos de madeira rodeando as casas de repasto, quase sempre entregues a famílias inteiras. O ritual era simples: fazia-se um rectângulo de balcões, em volta bancos para os benfiquistas não comerem de pé e lá dentro era uma festa de cerveja, vinho e cheiros de carnes com muita gordura. Para os meninos, trina de laranja, para os pais, vinho em barda, que a noite era uma criança. Nos entretantos, enquanto se trinchavam pedaços de entremeada, febras e as sopas iam ao lume, e regados, bem regados, a cerveja, a tinto, a branco e, para os mais friorentos, a abafadinho, discutiam-se onzes, dizia-se mal do treinador (sim, já na altura acontecia) e ansiava-se pela hora da visão gloriosa de um relvado iluminado por 4 focos de luz.
Os pais faziam a sua pedagogia, perguntando aos filhos o nome dos 11 heróis que iriam entrar em campo, os filhos acertavam em 3 ou 4 jogadores mais conhecidos e de tempos a tempos até aparecia um que falava no nome de um jogador de um rival nacional. O pai não gostava, batia com o copo com força na madeira e gritava: "esse é lagarto, filho!" e o filho, que nunca se tinha apercebido de que os homens tinham a capacidade de se metamorfosear em répteis, bebia mais um gole de trina enquanto dizia para dentro que nunca mais abria a boca para dizer o nome daquele jogador.
E o mais bonito de tudo era quando, na mesma mesa, se juntavam avô, pai e filho. E todos eles, ali sentados em redor de um objectivo, apesar das idades, a sentirem o mesmo: a pulsação acelerada, a ansiedade, o nervosismo, a paixão. Todos eles com o coração da mesma idade.
Mau-olhado
Após demorada introspecção e muita conversa Amesterdão-Lisboa, já descobrimos o problema do Benfica: lançaram um vil e ignominioso quebranto ao nosso clube. Isto agora só vai lá com benzeduras e horas à espera que o azeite volte a juntar-se.
Sexta-feira, 17 de Maio de 2013
O Porto não ganha. Nós sim?
Já não sei se é da demência de ter assistido a mais uma semana surreal na vida do nosso clube ou se é por de facto acreditar, mas deixem-me que vos diga uma coisa: o Paços no Domingo não vai perder o jogo.
Resta saber uma outra nuance: o Benfica ganhará o seu jogo? Se sim, poderemos estar a dois dias de uma festa tão surpreendente para quase todos que ainda vai saber melhor. Se não, teremos motivos para consultas psiquiátricas diárias nos próximos 500 anos.
E, por favor, se o Paços perder o jogo não apareçam com as teorias da conspiração. Se o Benfica perder este campeonato, deve-o a si e apenas a si.
Etiquetas:
Benfica-Moreirense 2012/2013,
Campeonato,
Paços de Ferreira
Domingo ver-vos-ei no Estádio da Luz.
"When all else fails, we can whip the horse's eyes. And make them sleep, and cry."
Quinta-feira, 16 de Maio de 2013
E agora, Benfica?
Chegar
a Maio em condições de conquistar três competições era algo que no
início desta temporada nem nos meus melhores sonhos conceberia. Mas não é
menos verdade que duas dessas competições foram à vida no momento das
grandes decisões – que me perdoem os crentes num milagre na Mata Real.
Independentemente de conquistarmos ou não a Taça de Portugal, as questões que vos coloco são as seguintes: O que deve mudar no Benfica? O que deve manter-se como está? No fundo, que futuro para este Benfica vertiginoso que nos dá tanto de euforia quanto de depressão?
Chibem-se para aí, companheiros.
Independentemente de conquistarmos ou não a Taça de Portugal, as questões que vos coloco são as seguintes: O que deve mudar no Benfica? O que deve manter-se como está? No fundo, que futuro para este Benfica vertiginoso que nos dá tanto de euforia quanto de depressão?
Chibem-se para aí, companheiros.
Quarta-feira, 15 de Maio de 2013
Deus não é do Benfica e ainda por cima é sádico.
Escrevo, apago, escrevo e volto a apagar. Fiquem-se com o título.
Etiquetas:
Benfica-Chelsea Final Liga Europa 2012/2013
Terça-feira, 14 de Maio de 2013
Podíamos ter sido Benfica. Fomos Corunha.
Faz hoje 19 anos que o Benfica foi Benfica. Faz hoje 19 anos que o Deportivo da Corunha deitou o campeonato perder no último minuto. Resta-nos esperar o Djukic seja titular pelo Chelsea no jogo de amanhã. E se ainda conseguir apanhar o avião para a Mata Real a tempo de alinhar pelo Fcp, tanto melhor.
Segunda-feira, 13 de Maio de 2013
Glorioso "Sr Manuel"
Podia ser mais uma viagem, como tantas outras que fiz esta época e nas passadas. Mas não é, esta tem tudo de diferente. É especial.
Em 37 anos de vida nunca assisti ao vivo a uma final europeia. Pela tv, já assisti a tudo em que o Benfica marque presença por esse mundo fora. Mas o brilho das camisolas berrantes, através das câmaras, não é o mesmo, por muita qualidade que tenham, pela tecnologia de ponta mais avançada que disponham. Seja numa final, seja num amigável ou seja num solteiros contra casados, dentro ou fora dos limites do nosso rectângulo e ilhas.
Até o palco dos sonhos foge à tradicional denominação de "Estádio".
Num lugar mítico para o Benfica, jogaremos esta final numa Arena, nome digno de guerreiros, da nobreza, de classe: "Arena de Amesterdão". Um belo nome e um melhor local para trocar as voltas ao nosso "Feiticeiro" e à sua "maldição". Foi em Amesterdão que conquistamos o último troféu europeu, precisamente ao comado de Guttman.
Pareciam estar reunidos, desde há umas semanas, todos os factores para que considerasse a minha primeira final europeia, especial. Mas não estavam..
No passado sábado percebi que, para enfrentar a maldição de Guttman, ainda teria que provar a resistência a obstáculos profundos, dores inesperadas. Como se algo ainda faltasse para testar a minha aptidão na resiliencia e amor ao Benfica. Como se necessitasse de uma prova final para aspirar a contrariar tão bravo desafio: pôr cobro a uma alucinação de Guttman que se abate sobre nós, há mais de 50 anos.
Sentada no chão frio dos corredores do estádio do dragão, enquanto esperava para sair, com a cabeça assente em ambas as mãos, não sentia ponta de vida em mim. Inerte, com os gritos ainda no estádio a perfurarem-me o coração, procurava no mais profundo do meu ser, força para reagir. O respirar e a lágrima que me percorreu a face davam-me sinais de vida. Sinais que não conseguia encontrar à minha volta, nos e entre os meus, que deambulavam pelos mesmos corredores, talvez em busca do mesmo que eu..
De forma mecânica segui no cortejo até ao destino enquanto tentava organizar os pensamentos, partilhar a desilusão e encontrar entre semelhantes, um sentido, uma razão, uma luz. Cantávamos para espantar males, balbuciávamos uns com os outros na esperança de libertar aquele colete de forças invisível que nos tolhia o corpo e parecia ramificar-se pelo nosso intimo.
Passávamos por pequenos núcleos de adeptos portistas que, através dos seus cânticos, faziam questão de apertar o colete de forças em que nos víamos e nos debatíamos para nos libertarmos.
Até que, quase no destino, por entre os estreitos quelhos que passam pelas traseiras da estação de Campanhã, no cimo de um terraço de pedra, no meio daquele bairro, olhamos para cima e seguimos a voz que se fazia ouvir sobre as nossas cabeças. Seguimos aquele cântico como um navio segue a luz de um farol numa noite de tempestade e mar revolto. Umas mãos enrugadas seguravam convicta e fielmente um cachecol do Benfica sob os cabelos brancos, enquanto numa voz profunda, segura e atabacada, nos gritava: "Benfica! Benfica! Vivó o Benfica!".
No meio de pedra e cimento, entre focos hostis, aquele velho pegou-nos ao colo, afagou-nos com toda a sua coragem e amor pelo Benfica. Deu-nos o soro da vida. As vénias e as salvas de palmas com que agradecemos não fazem justiça nem alguma vez pagarão o que o "Sr Manuel" nos deu.
Não há maldição que resista a um vaticínio de um "Sr Manuel"!
Obrigada. Obrigada Benfica. Só TU és capaz.
Temos um caneco para conquistar. Os "Maneis" desta vida merecem-no. E nós aprendizes, também.
Amo-te Benfica.
Boa semana para todos. Espero voltar no Domingo como voltaram outros bravos de Berna e Amesterdão. Nem mais nem menos. A sentir o que eles sentiram. VIVÓ BENFICA!
Etiquetas:
Amesterdão,
Benfica-Chelsea Final Liga Europa 2012/2013,
Berna,
sonho
Pietra e Manniche já vão a caminho de Amesterdão. Pausa para sandes de torresmos e bagacinho.
Etiquetas:
Benfica-Chelsea Final Liga Europa 2012/2013,
Manniche,
Pietra
Vou-me embora, vou partir.
Nada melhor depois de uma tortura como a do Dragão do que poder ir, dois dias depois, embora deste mundo. Ou pelo menos deste país, desta cidade, dos jornais e das televisões, das vozes na rádio, das notícias, das conversas. Ir embora e se possível nunca mais voltar. Deixar o legado benfiquista para os amigos: "peguem, é tudo o que tenho" e partir. Partir e talvez nunca mais voltar.
É possível que volte, no entanto. A coisa está marcada aí para Sábado ou Domingo, o mais tardar. Virei, como irei, de carro. Para lá, amanhã às 20h, a 500 e tal de velocidade a ver se ainda consigo chegar a Amesterdão na Terça à noite; para cá, na Quinta-feira devagarinho, devagarinho, curtindo bem as papoilas, as vacas, os cheiros, os tachos de comida e os vinhos. É possível - muito possível - que aconteça Brugges na vinda. E depois Caen e a passagem do lombo pelas praias que viram o desembarque aliado na Normandia. É possível que o centro e o Sul de França. Depois o País Baixo, quem sabe Salamanca depois?, e acabe então no mesmo sítio de onde parti: junto ao Pai, pintado na parede.
No meio disto tudo, há uma final europeia para ver. Tenho feito um esforço giganto-megalómano por não ter esperança. Coisa nenhuma, zero, nicles batatóides, niente, nada. Finjo-me constantemente de descrente, lembro-me da tortura de Sábado à noite. Não quero, não posso, não sei sofrer outra vez assim quatro dias depois. Mas há de dentro do peito, num rio que passa por entre as conchas do coração, uma nova fonte a jorrar. Já a sinto outra vez a trazer águas, a irrigar os campos todos à volta, a corrente a ganhar forma e força, o caudal mais poderoso - sim, já estou feito ao bife outra vez: tenho esperança. E é com ela atrelada ao carro que vou ganhar forças para sair de junto do Pai Cosme logo à noite. Impossível ser do Benfica e não ter esperança.
Etiquetas:
Benfica-Chelsea Final Liga Europa 2012/2013,
esperança,
Vitorino
Domingo, 12 de Maio de 2013
O último reduto de esperança: o benfiquismo de Paulo Fonseca.
Etiquetas:
esperança num milagre,
Paulo Fonseca
Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais.
Medo.
Desilusão
Não há volta a dar estou muito desiludido. Acreditava sinceramente que ganharíamos hoje (ontem). E continuei a acreditar até que sofremos o 2-1. Como disse em devido tempo, com duas equipas muito iguais, apenas um detalhe decidiria o jogo. E assim foi, Helton, que já na Luz negara a vitória ao Benfica, voltou a fazê-lo e novamente ao Cardozo. Do outro lado o Artur não conseguiu fazer o mesmo ao remate do Kelvin.
Por um golo se ganha, por um golo se perde. Num campeonato marcado pela mediocridade em que duas equipas são muito superiores às outras, foi no confronto directo que o campeonato se decidiu. Não estamos mais perto de quebrar a hegemonia deles, mas estamos mais perto de sermos campeões.
Esta derrota deve ter sido particularmente dolorosa para o treinador e para os jogadores, obviamente que nem falo dos sócios e adeptos que como eu estão devastados. Mas a vida não acaba aqui. Temos que lamber as feridas e prepararmo-nos para a final de quarta, essa perante um adversário bem mais difícil, com jogadores muito superiores aos de hoje, mas se calhar colectivamente menos forte.
Fisicamente foi mais um jogo desgastante para jogadores já muito cansados, mas o pior impacto é o psicológico. Esse golpe é o mais duro. é aqui que nós podemos fazer a diferença. Temos que ser nós a acreditar e a ajudar a equipa a recuperar. Temos 2 competições ainda para ganhar. Não vamos deixar que de época de sonho se transforme em pesadelo.
Proença esteve bem, apesar dos erros dos auxiliares. Quando a pressão é bem feita, conseguimos não ser prejudicados e isso é só o que interessa. O Porto ganhou porque marcou mais um golo. É tão simples quanto isto. E no fim de contas, ganha quem marca mais. Serão eles os campeões, pois um Paços que já obteve o resultado que lhe interessa não vai ser um obstáculo difícil. Podemos ter tido azar, mas já tivémos sorte noutros momentos. No fim de contas e por muito que não gostemos, a serem campeões, eles merecem, como nós também mereceríamos se fôssemos.
A equipa deu o que tinha e por isso merece o meu respeito e deve merecer o vosso. O adversário foi melhor pois ganhou o jogo. Para o ano temos mais, voltaremos com mais ganas para ganhar. O campeonato já é passado, agora só interessa Amesterdão. Temos a glória europeia ao nosso alcance. Vamos pelo menos quebrar a puta da maldição que paira sobre o nosso clube.
Tenho um orgulho imenso em ser Benfiquista.
Etiquetas:
Desiludido,
Esperançoso,
Orgulhoso
Sábado, 11 de Maio de 2013
Hoje é dia de voltar ao nosso trono. Sem olhar para trás.
Etiquetas:
Mick Jagger,
Peter Tosh,
Porto-Benfica 2012/2013
Subscrever:
Mensagens (Atom)






