sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Tuchel viu em Guerreiro um extraordinário médio. Está na hora de Vitória ver o mesmo em Grimaldo.

Os 3 pensadores


- Jorge Jesus, aconselhado pelo liliputiano Saraiva, vem dizer que afinal não disse que tinha a melhor equipa porque ele é o melhor treinador. Afinal,  é só para ele,  os outros que pensem o que quiserem. Teve azar, porque na primeira conferência de imprensa soltou aquele guinchinho de cagança, com a língua e os lábios de lado a soltar um sonoro à gajo de Alfama depois de tirar uma lasca de entrecosto dos dentes, que acaba por servir de prova irrefutável em tribunal.

- Nuno Espírito Santo, após uma rixa num café da Rinchoa, decidiu que iria passar uma imagem diferente dos treinadores-feirantes que só falam em árbitros. Comprou uns fatos bonitos, rapou o cabelo, deixou crescer o grisalho da barba, escolheu uns óculos professorais, pôs o melhor perfume, ensaiou ao espelho um discurso lúcido e racional, empregando expressões como "honra e bom trabalho dos árbitros", "o Futebol Clube do Porto confia sempre na seriedade dos árbitros", "que ganhe sempre a equipa que mereça assim fazer", "com isto não queremos, de modo algum, fugir às nossas responsabilidades". Está desde Julho a falar nos árbitros mas promete que não é desses treinadores que estão sempre a falar nos árbitros.

- Rui Vitória.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

A LUZ E O PIPI DE MARAFONA, estória curta para uma tarde de outono

Estávamos no ano de 2016. Os adversários do Glorioso deslocavam-se à Luz sempre com promessas de mala cheia, que seria aviada numa eventual perda de pontos do então tricampeão nacional, o clube dos clubes, o Sport Lisboa e Benfica. E pluribus unum, nunca um lema fora tão bem escolhido. Apenas um se erguia, de entre muitos, majestoso e preocupado com a sua própria majestade.

Os clubes tradicionalmente não candidatos ao título iam à Luz jogar para o empate, no mais pobre dos jogos. Tipicamente jogando em contra ataque, tentavam explorar algum erro defensivo que permitisse o golo.  Até aqui, como estratégia, embora fraquinha do ponto de vista do valor das ideias dos treinadores adversários, não tinha nada de mal. Era assim grande parte do futebol praticado na época! O mal começava nas práticas de anti jogo.

Apoiados na permissividade de alguns árbitros esverdeados, as faltas não assinaladas e os cartões que ficavam por mostrar davam-lhes a sensação de poderem triunfar no palco do centro dos mundos. Mais uma vez, até aqui, pouco ou nada de novo. A seleção natural tinha apurado o antibenfiquismo a níveis altíssimos. A compulsão dos viscondes por se casarem apenas com outros viscondes teve como consequência lógica uma forte consanguinidade, traduzida por estados de constante confusão, inveja e mal estar, que se estendiam profundamente à arbitragem. 

Assim, todas estas situações eram descritas como "normais". Mas nessa época de 16/17 a Biologia Evolutiva teve a oportunidade única de assistir a uma das mutações mais interessantes, uma Mutação por Osmose Medíocre (Mediocre Osmose Mutation, ou MOM no original). No entanto, a atenção da comunidade de Biologia não foi atraída apenas por esta incidência de intensivas atitudes de merda (ainda não arranjámos melhor expressão!).

Nessa época, alguns jogadores das equipas visitantes simulavam lesões de uma forma absolutamente exagerada, para atrasar o jogo e fazer entrar a equipa médica. Sempre com a cumplicidade da estirpe de árbitros BdC, que, por vezes, nem obrigavam a que o jogador fosse assistido fora de campo, julgava-se que esta era apenas uma prática consciente, com adeptos ferrenhos. Eles sucediam-se uns aos outros, jogo após jogo, caindo exclusivamente no glorioso relvado com seus uivos e atos de contorcionismo. E a incidência era muito maior numa posição chave. Os guarda redes, únicos jogadores em campo que não podiam ser assistidos fora do relvado, eram os mais afetados por esta aparente estupidez. As simulações de lesão iam ao ponto da encenação mais cuidada. Um deles teve mesmo a infeliz ideia de atirar a bola para canto enquanto fazia o infame teatro, de forma a reclamar alguma verosimilhança às suas atitudes anti desportivas, e antevendo com mestria que o SLB jogaria de forma honrada e lhe daria a bola de volta. Até chegou a fotografar posteriormente o próprio pé para exibir uma aparente mazela, o pobre. A fotografia ilustra vários artigos científicos da época, como exemplo de um dos sintomas iniciais da doença, a total falta de vergonha.

Ao fim de algumas jornadas, um guarda redes de uma equipa adversária simulou uma lesão e a equipa médica entrou em campo. E demorou muito mais tempo do que o costume, cerca de quinze minutos, até que este fosse substituído! Debaixo de monumentais assobiadelas, o redes João da Luva Rota deixou-se cair no chão, chorando compulsivamente. Pedia lenços aos colegas, que o olhavam estupefactos. Com a voz alterada, muito aguda, falava da vergonha que sentia por estar sentado na relva, de calções sujos, e por não ter feito a depilação. Pedia desculpa e tornava a chorar. “Vocês são tão bons para mim. Eu só quero ir para casa.” Estava tão visivelmente transtornado, o pobre,  que foi rapidamente encaminhado para o departamento de psiquiatria do Hospital da Luz.

Já rodeado por uma junta médica, falava dos filhos com carinho e queixava-se muito da sogra. Referiu vezes sem conta o ponto de cocção de um certo assado no natal de 2014, queimado por culpa da mãe da mulher. Oscilava entre o choro e o riso enquanto falava. E fazia olhinhos aos médicos. O dr. Homem Macho Pereira, chefe da ginecologia, achou estranha tamanha sensibilidade, e pediu para examinar o paciente. Atrás da marquesa, não podia acreditar naquilo que os seus olhos lhe diziam. João da Luva Rota tinha… uma vagina!!! Uma vagina real, de mulher. Com direito a tudo, orgãos internos incluídos, pois João da Luva Rota estava… menstruado!  Era o jackpot das descobertas.

Mas antes mesmo de poderem reclamar o facto como único, começaram a surgir novos casos. Sempre na Luz, sempre na equipa visitante, a cada duas semanas surgiam vaginas amiúde nos jogadores das equipas adversárias. O facto abalou a comunidade científica, desorientada com tão bizarra mutação. Mas Macho Pereira avançou com uma forma eficaz de reverter o processo. Quando um jogador se encontrava num dos estágios mais atrasados da doença, na fase Varela, ou até mesmo na fase Marafona, administravam-lhe doses cavalares de hormonas masculinas enquanto o obrigavam a ver filmes de super heróis, sempre de cerveja na mão. A prática do vernáculo, acompanhada de arrotos e de outras ventosidades, era também fortemente incentivada. E eram obrigados a assistir a jogos de futebol masculino entre equipas sul americanas. Tudo num ambiente seguro, sem a presença de um único sportinguista num raio de 10 km (fora de Lisboa, portanto). Os casos reduziram, mas só desapareceram completamente quando chegou a terceira revolução genética e a inteligência superior passou a ser característica fundamental de todos os seres humanos. Até então, alguns desgraçados preferiam arriscar-se a tão dramática mutação só para poderem usufruir de um dos sintomas iniciais desta doença genética. Qualquer guarda-redes que sofresse a mutação, por mais medíocre que fosse, tinha direito a uma exibição de luxo, pouco tempo antes do surgimento da vagina. Chamavam-lhe o “Efeito Neuer”. Mesmo sabendo que o coche podia passar subitamente a abóbora, queriam experimentar uma vez na vida a sensação da “defesa impossível”. 

Esta condição genética ficou conhecida como "Marafona´s Syndrome". Baptizada por uma equipe de Princeton, a equipe brasileira reclamou desde sempre para si a descoberta. E com ela, o batismo da mesma. Embora se tenha estabelecido mais tarde que a alteração genital nunca ocorreu em Marafona (consta que viu os X-Men na noite do jogo, e seguidamente terá assistido ao Puñeteros de Lima Vs Los Cojones de Buenos Aires, enquanto bebia uma cerveja e cogitava sobre a fotogenia do próprio pé), só no dia da sua morte se teve a certeza. Até lá, muitos anos se tinham passado, e assim a condição ficou conhecida até hoje, nas comunidades de expressão portuguesa, como SCM, ou (para ler com sotaque brasileiro) “Ô Sindrôma da Côna dji Marafôna".


(ressalva: este texto, que vos parece pleno de lugares comuns e até algo sexista, chegou às mãos do Ontem diretamente a partir de um portal do futuro. Não somos responsáveis pelo uso de quaisquer estereótipos. Conhecemos muitas mulheres com “mais colhões” do que a maioria dos guarda redes da primeira liga, e até alguns homens que não se peidam ou arrotam de forma ostensiva)

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Ontem vi-te no Estádio da Luz a ganhar ao Braga



1) No ano passado, por esta altura, Júlio César salvou o Benfica em 4 ou 5 jornadas. Defesas fantásticas que nos permitiram ir ganhando pontos até embalarmos definitivamente em Alvalade para o Tri. Ontem foi outra vez fundamental, percebendo que tinha de limpar a casa até que os seus colegas acordassem. Com o Imperador em grande forma e o Ederson a mostrar tanta qualidade, podemos dormir descansados.

2) Vitória tenta adiar o problema para mais tarde, colocando Pizzi na esquerda,  mas vai mesmo ter de assumir uma posição porque Carrillo sobe de forma e vem aí o genial Zivkovic. Não me parece que o Salvio volte algum dia a ser Salvio e portanto eu poria o Pizzi à direita e avançaria com o sérvio para a esquerda. Quando puser o pé pela primeira vez na bola nunca mais Zivkovic abandonará a titularidade até sair do Benfica.

3) Maravilhoso Pizzi. Dá apoios, arrasta marcações, condiciona a posse do adversário. Às vezes parece ter a outra equipa sob cordéis que vai movimentando como quer. O passe que desbloqueia o jogo no primeiro golo é o resumo mais simples do que é Pizzi em campo: um criativo que descobre o caminho para a baliza como poucos. Ainda marcou e fez uma assistência só para que quem não gosta dele não pudesse dizer grande coisa.

4) Mitroglou e o golo à Cardozo. A simplicidade de um gesto técnico letal e a compreensão por parte de Guedes de que o melhor cruzamento é aquele que dá ao avançado a oportunidade de tentar marcar no seu espaço de conforto.  Em 10 bolas metidas assim para o grego, em 9 ele atirará certeiro e em curva para dentro da baliza.

5) As muitas oportunidades concedidas ao Braga mostram uma equipa com vários problemas na saída e na resposta à perda de bola. É importante melhorar muito a forma como pressionamos e como damos apoios ao portador à saída da nossa área. O Imperador não estará sempre a níveis estratosféricos.

6) Jonas. A falta que o génio faz.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

O Mesmo Mais Aprimorado Vieira



Passou uma semana da presença de LFV na TVI e pelos comentários que fui lendo aqui no Ontem percebi que houve uma grande divisão entre aqueles que gostaram da entrevista e da serenidade do presidente do Benfica e aqueles que acharam que foi mais do mesmo, as tangas do costume.

Após assistir integralmente à presença de Luis Filipe Vieira na TVI percebo estas opiniões tão opostas.

O Vieira nunca deixará de ser o que é: um tangas e um aldrabão. Por outro lado, tem evoluído muito enquanto politico. Comunica melhor, domina as entrevistas, manipula ao seu belo prazer a imagem que pretende passar e consegue superficializar o conteúdo com esta forma mais aprimorada de se expressar. Já sabe comportar-se como uma verdadeiro estadista.
Parabéns ao Vieira pela sua inteligência, evolução e aprendizagem.
O efeito do novo director de Comunicação – Luís Bernardo – também já se notou.

Houve muita, mesmo muita, demagogia. Porém, olhando além da demagogia barata que nos continua a servir, houve também algumas afirmações interessantes, tanto em termos informativos como de bom desportivismo.

Vou tentar dividir isto por pontos.


OBJECTIVOS:

Para começar quero evidenciar a referência mais que justa que LFV fez à sua principal promessa para este mandato: o 3+1+50. Meta que foi alcançada com todo o sucesso.

Também afirmou os objectivos para este época: Afirmação europeia e o Tetra.
Sem surpresas aqui.

ESTRUTURA: 

A importância da Estrutura que dirige o Futebol voltou a ser frisada pelo presidente.

Há um projecto para o Futebol que interliga todos os sectores e escalões do clube e que planifica o futuro com maior antecedência. É um projecto sustentado na filosofia Benfica made in Seixal, sendo que Vieira apelidou o Seixal como a menina dos seus olhos.
Destaco a confirmação que o treinador é só mais um dentro da estrutura, com os poderes limitados ao treino e orientação da equipa principal. Nas outras áreas é um opinador entre muitos.

Sou 100% apologista de uma estrutura deste tipo que se sustente na Formação do clube. Contudo na minha visão o treinador deve ser a cabeça da estrutura, o líder do futebol e o principal definidor do projecto, o centro de todas as decisões.
Rui Vitória é sem dúvidas o homem certo no lugar certo neste projecto de Vieira.

O presidente do Benfica também anunciou um ainda maior investimento no Seixal, algo que só posso aplaudir.
Tenho é uma teoria sobre a menina dos olhos de LFV… Fica para outras núpcias.

INFORMAÇÃO INTERESSANTE/IMPORTANTE: 

O presidente do Benfica esclareceu que o determinante no negócio do Rafa foi a vontade do jogador. Já concordava e assim ainda concordo mais: se fosse preciso pagava-se 20M.

Anunciou para breve o anúncio de uma parceria muito importante na China. Mais milhões, prestigio e visibilidade. Boas notícias, a menos que seja em troco da nossa identidade.

Informou os sócios sobre a desenvolvimento de uma sala de espera para a família dos jogadores no pós-jogo.

Falou também sobre a saída do Renato e do Nico.
Há mesmo mais 25M fáceis de obter na negócio do Renato. Só faltou esclarecer no que consistem e também faltou a José Alberto Carvalho interessar-se em perguntar.
Sobre o Nico revelou que o jogador já tinha recusado sair para o Dubai e isto pelo motivo que todos lhe reconhecemos: a felicidade de Nico é o Futebol.

Afirmou que o Taarabt não vai voltar a vestir a camisola do Benfica.

Infelizmente para todos os benfiquistas reconheceu, finalmente, que nada tem contra Pinto da Costa. Algo inadmissível num presidente do Benfica.

Também falou sobre a NOS. No meio de muitas rosas lá deixou aparecer os espinhos. Vieira diz que há para lá umas cláusulas no contrato e avisou que o Benfica poderá levar a operadora a tribunal. Pois, o negócio da arábias celebrado em pleno relvado da Luz…

Ficámos também a saber que o investimento em jogadores para esta época foi de 70M, contrariando intenções passadas.

AFIRMAÇÕES FORTES/POLITICAS:



- Temos um Benfica mais forte.

- Temos um Benfica mais novo.

- Os outros clubes copiam o Benfica.

- A equipa B é a mais nova e portuguesa nas ligas profissionais em Portugal.

- Nos próximos anos as vendas, e consequente redução da massa salarial, irão resultar numa redução do Passivo.

- O Amorim vai ser emprestado.

- Talisca quis sair e a sua vontade é movida somente por interesses financeiros.

- Nas últimas vendas de jogadores da formação o Benfica fez 60M.

- No Seixal os jovens têm no mínimo 9 anos de Benfica.

- Zivkovic e Danilo não foram inscritos na Champions porque vêm de 6 meses de paragem.

- Ola John e Djuricic foram realmente Flops. Contudo vieram por indicação do Rui Costa, tal como Taarabt.
Sobre Taarabt ainda disse que passou muitas horas com Rui Costa a entusiasmar-se a ver os jogos dele no Milan.

Entre politica e demagogia há algumas coisas aqui que marcam positivamente a intervenção de LFV.
Sobre estas afirmações pretendo só deixar algumas perguntas e um ou outro esclarecimento.

Vieira diz entender a vontade de jogadores como o Talisca, o Amorim e Markovic saírem por empréstimo do seu clube devido a interesses e necessidades financeiras. Mas como é que um jogador beneficia financeiramente de um empréstimo? Há um contrato à parte pago pelos clubes que os recebem?
A meu ver este comentário resulta somente da vontade de querer ficar bem na fotografia.

O Passivo não ia ser reduzido a zero com os rendimentos do acordo com a NOS? Afinal já é outra vez com as vendas?

Há um claro exagero naquilo de “os jovens do Seixal têm um mínimo de 9 anos de Benfica”. Percebo onde Vieira quer chegar, percebo o sucesso que tem sido a criação dessa identidade no clube, mas esta afirmação não corresponde à verdade. Aliás, nesta entrevista Vieira reduziu a prospecção do clube a cinzas.

É bonito dizer que este ano temos um Benfica mais novo mas simplesmente não é verdade. A média de idades do plantel é infinitesimamente superior à do ano passado.

Quanto à equipa B ser a mais jovem e portuguesa das ligas profissionais é também mais uma questão de exagero. Em termos de juventude equipara-se com as Bs dos rivais e em termos de portuguesidade é preciso olhar para o Fafe, Belenenses, Vizela, Sporting B, Penafiel e mais uma ou outra.
Demasiado populismo.

Fico sem perceber onde é que o presidente do Benfica foi buscar esta ideia de que o Danilo esteve parado seis meses.

Por fim a referência aos 60M feitos com os jovens que saíram “por culpa do Jorge Jesus”. Vieira assume que o Benfica recebeu mesmo 12.5M pelo Cancelo, 12.9M pelo Bernardo, 9.5M pelo André e 13.7M pelo Ivan.
Alguns valores são ridiculamente baixos e outros estupidamente altos mas perfazem os 60M.

DEMAGOGIAS: 

O Benfica não vai ao mercado nos próximos 4 anos. Só numa rara excepção se olhará para fora do que há já no Seixal.

Lamentou-se por 5 ou 6 jogadores da Formação terem de ter saído nos últimos anos. Isto como se ele não tivesse uma palavra a dizer nesses negócios. Será que Jorge Jesus é que mandava no Benfica? Parece que RGS poderá ter de apresentar a sua demissão.

Como já é costume, avisou que “não vamos sair da linha traçada”. Será a mesma linha traçada da qual não ia sair há 3 anos atrás? Ou já é outra?

Revoltou-se com as muitas mentiras e demagogias que há no Futebol. Ironia contextual.
Ainda deu como exemplo os “últimos 15 dias” mas faltou especificar quais foram as mentiras e demagogias. Resumindo, frase feita que fica bem dizer.

Disse que não lê jornais nem vê programas televisivos. Sabemos que não é verdade.

Justificou que não o faz para não se sentir influenciado nas suas decisões. Pareceu bonito e profissional quando ele o disse mas depois percebemos o ridículo de um presidente de um grande clube admitir que as suas decisões seriam afectadas se lesse jornais desportivos…

Afirmou que Jiménez vai ser um dos avançados mais temidos da Europa e a transferência mais cara do futebol português.

Se houver um maluco que dê mais de 50M por um Jiménez de 26 anos então fica mais uma vez demonstrado como as negociatas reinam no Futebol.

“O Benfica não existia.”

 “Não se pode exigir mais.”

Demagogia bacoca que só não indigna mais benfiquistas porque somos tricampeões. É deixar andar e agradecer ao refundador.

CLAREZA/TRANSPARÊNCIA: 

Muito fala Vieira sobre transparência e sempre para de indignar contra aqueles lunáticos que acham que não há transparência num clube tão transparente como é este Benfica.

Nisso fugiu à pergunta sobre o não surgimento de jogadores da formação no plantel deste ano.
Nisso voltou a enrolar-se todo sobre o negócio Garay.
Nisso não esclareceu se afinal queria ou não continuar com o Jorge Jesus.
Nisso andou ali à volta no assunto “Luisão” sem nunca ser claro sobre o que se passou.
Nisso lançou que a Gestifute tem direito a uma comissão de 10% nas vendas do Benfica como se isso explicasse tudo o que ficou ali por dizer no meio dos gaguejos. Aqui foi inteligente e provavelmente colocou em prática a estratégia do novo director de comunicação.

JIMÉNEZ: 

Além do já referido, o presidente do Benfica afirmou que acredita que ainda este ano o jogador vai corresponder aos 24M em que o avaliámos. Frisou também que é alguém que vê muito à frente e que brevemente todos lhe daremos razão. 

GARAY: 

Contou a história que ninguém pode acreditar sobre a sua saída.

Acrescentou que teve muitas conversas com o jogador neste último Verão e que a vontade do argentino era de regressar ao Benfica e só o valor pedido pelo Zenit o impediu.
Como disse, nada nesta história bate certo. Nada. 

SIDNEI: 

Vieira anunciou que o Benfica acabou de vender o jogador por 10M e que assim cobriu os custos com a sua compra, provando mais uma vez a sua visão e que os arautos da desgraça deviam esperar antes de falar.

Ainda não foi noticiada qualquer confirmação, ainda não houve comunicado à CMVM e acho que era importante um pouco de honestidade intelectual a LFV, referindo qual a percentagem desse valor a que o Benfica tem direito (deverá rondar os 45%). 

LUISÃO: 

Vieira confirmou que o jogador já várias vez quis sair e todos conhecemos os episódios. Vieira, ao seu estilo, sublinhou que tem sido ele a segurar o Luisão no Benfica.

Nunca esclareceu se o jogador esteve ou não para sair neste mercado.
Para mim é claro que por agora está tudo bem entre o Luisão e o Benfica e que a saída dele era por interesse mútuo do jogador e clube. Não vejo qualquer polémica nisto.
O que se percebeu nas palavras de Vieira foi que as declarações do Luisão provocaram um mal estar interno. Uma desavença passageira mas real.

JORGE JESUS: 

Quando o jornalista tentou introduzir o antigo treinador do Benfica na conversa, LFV afirmou não querer falar do treinador e que este era uma página virada. Até teceu boas considerações sobre o mesmo.
Sol de pouca dura.

O discurso politicamente correcto que tinha sido preparado rapidamente foi traído pelo improviso de LFV. Foram várias a bocas a JJ.

- Responsabilizou o técnico pela saída do Bernardo, Cancelo e André Gomes.

- Referiu que este perdeu quando ninguém pensava ser possível perder.

- Falou que dois anos antes da sua saída ninguém o queria.

- Afirmou que se não fosse ele hoje ninguém conhecia o Jorge Jesus.

- Disse que o treinador não servia os interesses do Benfica e não permitia ao clube planear o seu futuro.

- Lembrou a relação de Jorge Jesus com os seus jogadores, dando o exemplo do episódio com o Cardozo no Jamor.
- Referiu ainda que o Benfica no último ano de Jorge Jesus apanhou um banho de bola em Alvalade, ridicularizando as afirmações deste no final do jogo.

Para quem não queria falar…
E página virada todos sabemos que não é. Basta ouvir e ler as vozes oficiais e oficiosas do clube e até lembrar que há um processo a decorrer em tribunal. 

POSTURA 

Seja porque fica bem dizer, seja porque é politicamente correcto dizê-lo, seja tudo um teatro bem estruturado, a verdade é que Vieira conseguiu ter algumas abordagens de muita elevação durante este directo.

Não quis falar sobre os clubes rivais, evitando assim entrar em conversas e bate-bocas desnecessários.

Afirmou que o Benfica tem relações institucionais com todos os clubes, independentemente de todo o lixo que por aí anda. Isto é importante pois valoriza-se as prioridades e o profissionalismo. No Benfica temos de respeitar sempre as instituições rivais.

Teve também declarações sobre a ida de Markovic para o Sporting que são um exemplo de desportivismo para o futebol nacional.
Pouco me importa se o presidente do Benfica fez um discurso honesto. Por mais falsas que possam ser as suas afirmações a verdade é que o politicamente correcto tem lugar no dirigismo do Futebol porque serve o bom ambiente no desporto.
Sobre Markovic Vieira foi soberbo.


Não tiro muito das 2 horas de Vieira na TVI.
Foi muita demagogia como é habitual mas de uma forma bem mais refinada.
A postura comunicacional do presidente do Benfica melhorou muito e a serenidade com que apareceu faz bem ao Benfica e ao desporto nacional.
Evitou guerras com rivais, menos a única que lhe é impossível evitar.

Além disto também ficou mais uma vez visível a facilidade com que chama os louros a si e como despeja a responsabilidade dos fracassos nos outros, sendo Jorge Jesus e Rui Costa os seus sacos de pancada de eleição.

Também foi evidente a sua incapacidade de lidar com a critica, tendo sempre assumido uma postura mais agressiva sempre que algum benfiquista do painel se atreveu a ter um pensamento critico.

Este foi provavelmente o melhor momento televisivo de Vieira, o que por si só não quer dizer muita coisa.

Gostei? Não. Achei muito diferente do costume? Ligeiramente. Revoltou-me como em anos passados? Não.



Dois lances iguais: Jiménez isolado na Choupana com um colega a desmarcar-se sozinho pela esquerda; Guedes isolado na Luz com um colega a desmarcar-se sozinho pela esquerda. Um deu golo, o outro não deu golo. Os dois lances são resolvidos de forma errada. Há jogadores que ainda não perceberam que 1 contra 0 é melhor que 1 contra 1. Nem com 1000 vídeos do Messi.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Arranca Champions!



Estou maluquinho pelo arranque da Champions.

Quero ver os nossos Ases voar no relvado nestes jogos.

Preciso ver os nossos craques a magicamente destruírem as defesas do campeão turco, do campeão ucraniano e do vice-campeão italiano.

Ver a nossa camisola impor-se na maior de todas as competições, o nome do nosso clube a aparecer sorteio após sorteio e a nossa mística a passear por toda esta Europa.

Falta-nos uma maior estabilidade defensiva. Mais garra e concentração podem ser o suficiente para os muitos rasgos de criatividade ofensivos compensarem tais fragilidades.

Bem, só posso gritar:

“Oh Vitória, larga as feras em cima deles!”

Quero ver o Rafa, Pizzi, Horta, Jonas, Salvio, Grimaldo, Guedes, Cervi e até o Semedo, a correrem por entre os defesas adversários com aquela alegre velocidade própria de quem está a vestir O Sonho.

Dá asas ao talento professor! Electriza! Faz-nos sonhar!



terça-feira, 6 de setembro de 2016

A ENTREVISTA A JORGE JESUS E O DILEMA CRIADO NO CORAÇÃO DOS CRENTES BRUNODECARVALHISTAS




As entrevistas a Jorge Jesus são sempre óptimas porque exploram da melhor forma possível - bom trabalho dos jornalistas do Record, já agora - o gigantesco ego do treinador do Sporting e a sua mais primitiva cagança. É, por isso, natural que ao folhearmos as páginas nos deparemos com um manancial absurdo de bombas deixadas entrelinhas (para usar uma linguagem que até o mister percebe).

De todas as bombas soterradas na entrevista, destaco três que me parecem as que mais afrontam directamente os fiéis dessa religião chamada Brunodecarvalhismo. Citarei Jesus e logo a seguir farei a tradução jesuscagancês-português:

Primeira bomba: "Quando cheguei ao Sporting, e o presidente é minha testemunha, ao fim de um mês quis ir-me embora”

Tradução: "Depois de 6 anos no maior clube português, com uma massa associativa extraordinária e condições fabulosas que eu ajudei a criar, com grandes jogadores e uma dinâmica de vitória, cheguei a um clube completamente em ruínas, desorganizado, e percebi que tinha uma montanha de 10.000 metros para subir até poder disputar títulos com os rivais. Só queria bazar dali - e disse logo esta merda ao Bruninho".


Segunda bomba: “Olhei para o que tinha e pensei: 'mas o que é isto?' Mas pronto, como ele [o presidente do clube, Bruno Carvalho] acreditava em mim deu-me força, disse-me que as coisas iriam resolver-se a pouco e pouco e a verdade é que as tem resolvido comigo”

Tradução: "Percebi bem onde me tinha enfiado e fiquei maluco. Só me apetecia ganir. Mas pronto, o Presidente pôs-se logo todo submisso, a prometer que me daria tudo o que eu quisesse e eu comecei a perceber que o gajo estava tão desesperado para se manter no poleiro que só eu o podia salvar. E a verdade é que tem cumprido com os chorudos pagamentos mensais, tem demitido quem eu não quero no clube, tem contratado dezenas de gajos que eu quero e quando eu lhe grito ele baixa as orelhas"

Terceira bomba: “Verdade seja dita, tudo o que tenho pedido, caso possa, o presidente tem-me dado. Esta gente tem sido espectacular. Mudei o Sporting todo por dentro, em termos de estrutura, e aí o presidente tem sido um elo de ligação fantástico porque não se nega a nada. Ele também tem muita ambição”

Tradução: "Verdade seja dita, esta gente faz tudo o que eu quero e quando me dizem que não podem eu ameaço bazar e eles lá vão fazer. Tem sido espectacular. Mudei o Sporting todo, e aí o Presidente tem sido um escravo fantástico porque não se nega a nada. Ele também quer muito ficar no poleiro."


Três bombas que revelam três coisas essenciais:

1) O responsável máximo pela melhoria competitiva, financeira e estrutural do clube chama-se Jorge Jesus;
2) Jorge Jesus não tem qualquer respeito pelo Presidente de Carvalho, pelo próprio clube ou pelos sportinguistas;
3) Bruno de Carvalho, embora comece a odiar Jorge Jesus, sabe que o seu próprio lugar depende da manutenção do competente técnico - por isso aceitará tudo o que Jesus disser, mesmo que sejam, como nesta entrevista, insultos e afrontas ao próprio Sporting Clube de Portugal e sua direcção.

Devo dizer que nada disto é novo. O processo no Benfica passou-se exactamente da mesma forma: (1) quem mudou o clube de incompetente para vitorioso foi Jesus, não Vieira; (2) sempre foi evidente a total falta de respeito pelos valores do Benfica, tendo no episódio com o Senhor Han o apogeu da filhadaputice; (3) o igualmente populista Vieira e seus súbditos (onde podemos meter uma maioria de dirigentes, funcionários, sócios e adeptos do Benfica) tudo aceitaram de Jesus - dá até graça vê-los hoje em dia nas ruas, no Facebook, na Benfica Tv passar o tempo a gozar e a atacar Jesus quando passaram anos como seus cegos acólitos, defendendo as suas mais profundas idiotices, como ter empurrado o nosso Senhor Han (e, à boa moda ditatorial, ainda insultavam os benfiquistas que defendiam o Sheu e o Benfica dos ataques do histérico Catedrático).

Perante isto, perante aquilo que foi dito, qualquer sportinguista sabe com o que conta: Jesus considera que Bruno de Carvalho só fez merda durante os primeiros dois anos, deixando o clube totalmente desorganizado. Um clube que, passado um mês, ele queria largar por não acreditar na incompetência que ali grassava. Ou seja: Jesus insinua, exemplifica e diz com todas as letrinhas que o Presidente é um incompetente de primeira e que todo o mérito da actual situação do clube a si, Jesus, se deve. Ora, perante isto, qualquer apoiante de Bruno de Carvalho chegou a um dilema. Das duas uma:

- ou critica o que Jesus disse, não aceitando a inadmissível falta de respeito pelo clube e pela Direcção. Nesse caso, só tem um caminho: pedir a demissão de Jesus.

- ou cala-se perante esta entrevista, assumindo que a incompetência da Direcção que Jesus sugere é real. Nesse caso, só tem um caminho: pedir a demissão do Presidente.

Simples e ao mesmo tempo difícil, não é?

Claro que há um terceiro caminho: finja. Isso mesmo. Finja! Finja que não percebeu que o treinador arrasou o Presidente na entrevista. Finja que acha que há outras interpretações. Isso mesmo! Finja ao espelho, ao colega do trabalho, finja nas bancadas. Ah, esses radicais, que só querem demissões e valores e coerência e romantismos. Os tempos não estão para poesias. Finja! Finja bem e bonito! Afinal os jornalistas é que perceberam mal o que Jesus disse. Pior ainda: perceberam bem mas publicaram à mesma. Finja que o mundo está contra o seu clube,  sportinguista. Finja, que os benfiquistas também fingem que não sabem que o Presidente coiso e que o dirigente isto e aquilo. Finja como portista, como belenense, como vitoriano. Todos fingem, caro companheiro. Finja também! Finja melhor! Finja diferente!
Quase toda a gente afinal só quer ganhar. Ir comemorar para o Marquês. Ser vencedor. Dar um chuto na vida. Ser campeão. Ganhar a todo o custo. Nem que seja com a mão. Nem que seja aos pontapés, sem coração, ganhar. Finja como nunca, perca como sempre.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Os 3 plantéis



- O plantel do Benfica é o melhor do Campeonato. Tem muitas e boas soluções para todas as posições e modelos de jogo - o grande jogador Rafajonizzi pode fazer a diferença. Exige-se a Rui Vitória que perca poucos pontos, não se exige o título. Pode haver quem faça mais e seja campeão não invalidando o bom trabalho do nosso técnico (a doença do resultadismo tem de acabar de vez). No resto, ganhar Taça de Portugal, Taça da Liga e chegar pelo menos aos oitavos da Champions.

- O plantel do Sporting é óptimo. Sendo Jesus o melhor treinador em Portugal, tendo transformado em apenas 12 meses um clube destruído que não conseguia vender nenhum jogador a preços decentes para um clube altamente competitivo que vende jogadores por 40 milhões de euros, é expectável que faça uma época na linha do que fez na anterior. Ou seja, não vamos poder dar muitas abébias.

- O plantel do Porto tem alguns jogadores talentosos mas é curto. Falta pelo menos um central de qualidade e um avançado melhor do que o belga para jogar com André Silva. Nuno Espírito Santo parece-me ser apenas mediano e a mística do Porto já não se recupera porque a corda partiu há alguns anos. Sem essa ligação profunda dos jogadores ao clube, sendo de dimensões menores a Sporting e Benfica em termos de base de apoio, o Porto resvala para um mar de equívocos. Não me parece que vá além do terceiro lugar.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

O Circo de Pina

O espectáculo de desonestidade intelectual de José de Pina é tão constrangedor que até nos deixa a ter de concordar com Manuel Serrão: é de facto uma exibição circense de grande monta.

A verdade é que 99 por cento dos adeptos, sejam de que clube for, são iguais a José de Pina: só superam a sua idiótica paranóia nas análises aos lances em que os seus clubes são prejudicados com a sua idiótica desculpabilização nas análises aos lances em que os seus clubes são beneficiados. Nada disto é novo. Só tem mais graça porque expõe ao total ridículo um adepto do Sporting, clube cuja grande maioria de adeptos acha genuinamente estar a ser perseguida por um invisível esquadrão vindo de Saturno que estabelece contacto com os árbitros através de uma linguagem cifrada com o maldoso intuito de prejudicar os sportinguistas.

E assim começa aqui, neste exacto post, uma rábula que perdurará por muitos anos e que, sendo eu um adepto intelectualmente honesto (uma raridade, bem sabemos), sinto ser minha obrigação criar: frases sobre José de Pina em vários contextos, sempre vendo o que mais ninguém vê e nunca vendo o que toda a gente vê.

Quando José de Pina pede um BigMac, queixa-se sempre que o hambúrguer tem chocolate a mais.


quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Hummels indica o caminho




Hummels é um 10 que joga a central. Com o tempo, o futebol deixará de vez os conceitos físicos e passará a acolher os mais inteligentes em detrimento dos mais fortes, mais altos ou mais rápidos.

No entanto, ainda faltam cumprir muitos passos até que o jogo possa atingir o seu potencial máximo, esse dia em que os 10 jogadores de campo sejam simultaneamente defesas centrais, laterais, médios defensivos, médios organizadores, interiores, extremos, avançados móveis e ponta-de-lança.

E quando os 10 forem tudo isso, rodando por posições ao longo do jogo de forma natural, então deixarão de ser atacantes, médios e defesas e passarão a ser, apenas e na sua total plenitude, jogadores de futebol.

O ontiano RedMist sugere Benitez como a solução mais lógica para a posição 8. O que acham?


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Empate na Luz com o Setúbal.

Dá para encarar este jogo e este resultado dos mais variadíssimos prismas.

Catástrofe? Azar? Incompetência? Injustiça? Arbitragem? Euforia? Mau Benfica? Bom Setúbal? Primeiro milho é para os pardais?

Para começar é importante realçar a equipa visitante. O Setúbal veio ao Estádio da Luz fazer o jogo, praticar um futebol positivo, procurar a baliza adversária e, sem ignorar a dimensão superior do Benfica, olhar olhos nos jogos contra os nossos.

A arbitragem é sempre parte do jogo. Tenho muita pena daqueles que passam a vida a apontar o dedo aos outros quando reclamam das arbitragens mas depois quando não estão a ganhar fazem o mesmo. É a hipocrisia do Futebol e existe às montanhas dentro do nosso Benfica, principalmente entre os que mais comunicam para o exterior.

Foi uma boa arbitragem? Não.
O árbitro errou, teve erros para os dois lados e aos 82 esteve bem ao assinalar um penalty claro a nosso favor.
Há um lance, um lance crucial, que pode levar ao debate. O golo do Setúbal pode ter sido conseguido em fora-de-jogo. É para análise académica.
Não me parece que tanta barulheira à volta da arbitragem se justifique.

Quanto ao nosso jogo não fiquei tão desiludido quanto muitos que tenho lido.
Não fizemos uma enorme exibição, não fomos dominadores nem massacrámos o Setúbal (e se calhar era isto que se exigia) mas fizemos um bom jogo que podíamos ter vencido com um ligeiro maior acerto.

Para mim o mais positivo na nossa exibição foi a confirmação que há ali muito futebol nos pezinhos daqueles jogadores. Ontem deu para ter um vislumbre daquilo que podem vir a ser as combinações entre os nossos jogadores mais ofensivos.

Horta, Pizzi, Cervi, Grimaldo, Jonas… Tanta magia que pode surgir ali.

Basicamente a minha opinião não mudou desde a Supertaça. Há qualidade, há potencial, há craques mas ainda falta muito trabalha táctico nesta equipa.

Defensivamente estamos muito mais permeáveis. O Cervi não defende como o Nico já defendia e o Horta não é o bicho que era o Renato. Sem esquecer que na direita está o vertiginoso Semedo e não o equilibrador Almeida.

Nunca gostei do processo defensivo que o Vitória colocou no Benfica mas nesta altura temos é menos gente a defender relativamente à época passada.

Ofensivamente jogar com o Pizzi na direita traz uma qualidade ao jogo interior que o Salvio não consegue dar. Achei o Salvio, como já é sua imagem, muito desligado do colectivo da equipa. Ainda por cima não acho que tenha deslumbrado nas suas iniciativas mais individuais.

E claro que não ter Jonas muda tudo ali.

O Cervi tem pés de craque mas está muito verdinho. Longe ainda da capacidade de decisão e da confiança que o Nico já tinha.

Adoro o Horta, estou cada vez mais fã dele mas ainda acho que não tem características para ser o nosso 8 titular. Para jogos teoricamente mais exigentes não o vejo a conseguir jogar num meio-campo a dois.

Ao contrário do que tenho ouvido não acho que o Vitória devesse ter entrado com o Raúl ao lado do Mitro. Para substituir Jonas só mesmo Jonas. Para jogar na posição do Jonas a escolha teria de ser entre o Fonte (lesionado), Pizzi, Guedes ou Rafa (não sei ainda o que esperar do Zivkovic).

Não gostei nada dos nossos últimos 25 minutos. A equipa entrou em desespero, muito jogo directo, pouca clarividência e más decisões.
Na minha opinião um dos momentos mais marcantes do jogo foi a decisão do Rui Vitória de colocar o Jiménez no lugar do Cervi. A equipa perdeu qualidade na construção de jogo e leu nessa substituição uma mensagem de desespero de “bola para a área” do treinador.

Ah e o Carrilo… Muito longe de estar em condições de jogar. Era baixar o preço do Rafa com o empréstimo do peruano por um ano.

Este resultado chateia-me mas ainda não me preocupa. Tal como não me preocupa (mais do que já estou há um ano) a exibição da equipa.

Esta recepção ao Setúbal foi a nosso vitória moral da época. Ganhou-se realismo, acalmou-se a euforia e serviu para a equipa crescer para o que falta da época.

Venham mais jogos que eu vivo é disto.